×
Copyright 2024 - Desenvolvido por Hesea Tecnologia e Sistemas

CCJ interrompe votação de PEC que reduz maioridade penal para 16 anos

Relatório favorável foi apresentado antes de suspensão da sessão na Câmara

País
Por Redação
20 de maio de 2026 - 8h04

Reprodução Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou nesta terça-feira (19) a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil. A votação foi interrompida após o início da Ordem do Dia no plenário da Casa, o que suspende deliberações em comissões.

A proposta em discussão, a PEC 32/15, estabelece que adolescentes de 16 anos possam responder criminalmente como adultos, cumprindo pena no sistema prisional comum. Atualmente, jovens envolvidos em infrações graves estão sujeitos a medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com prazo máximo de três anos.

De autoria do deputado Coronel Assis (PL-MT), o texto também amplia direitos civis para essa faixa etária, permitindo casamento, assinatura de contratos, obtenção da carteira de habilitação e voto obrigatório. O parlamentar sustenta que a proposta encontra respaldo popular, citando pesquisas que indicariam apoio majoritário à redução da maioridade penal.

Antes da suspensão da sessão, o próprio Coronel Assis, designado relator da matéria, apresentou parecer favorável à admissibilidade da PEC. No entanto, sugeriu que a emenda trate exclusivamente da responsabilização criminal dos adolescentes de 16 anos, retirando os pontos ligados aos direitos civis, sob o argumento de evitar conflitos de interpretação jurídica.

O tema, contudo, permanece cercado de divergências dentro da comissão. Parlamentares contrários à mudança alertam para possíveis impactos sociais e jurídicos da medida. A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), por exemplo, argumenta que apenas uma pequena parcela dos atos praticados por adolescentes é considerada grave e manifesta preocupação com o risco de cooptação desses jovens pelo crime organizado ao ingressarem no sistema prisional.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que o Brasil possui cerca de 12 mil adolescentes em unidades de internação ou privação de liberdade. O contingente representa menos de 1% dos aproximadamente 28 milhões de jovens nessa faixa etária, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fonte: Agência Brasil