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Copom se reúne com expectativa de corte moderado da Selic

Mercado projeta redução de 0,25 ponto percentual nos juros básicos, mesmo com impacto da alta do petróleo

Economia
Por Redação
18 de março de 2026 - 7h57

Banco Central (Arquivo)

O Comitê de Política Monetária se reúne nesta quarta-feira (18) em meio a um cenário de incertezas no mercado internacional, especialmente por conta da escalada do conflito no Oriente Médio, que tem pressionado os preços do petróleo e dos combustíveis. Ainda assim, a expectativa predominante entre analistas é de que o colegiado inicie um ciclo de queda da taxa básica de juros.

Atualmente fixada em 15% ao ano, a Taxa Selic está no maior patamar desde 2006. Após uma sequência de altas entre 2024 e 2025, os juros foram mantidos nas últimas quatro reuniões. Agora, segundo projeções do mercado financeiro, a tendência é de um corte mais cauteloso, de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano.

A decisão será anunciada no início da noite e ocorre em um momento de transição na diretoria do Banco Central do Brasil. Dois cargos seguem vagos após o fim dos mandatos de diretores no final de 2025, e as indicações de substitutos ainda não foram encaminhadas ao Congresso pelo governo do Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora a ata da reunião anterior já sinalizasse o início da redução dos juros em março, o agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã trouxe dúvidas sobre o ritmo desse movimento. Antes do conflito, parte do mercado apostava em um corte mais intenso, de 0,5 ponto percentual.

No campo da inflação, o comportamento dos preços segue no radar do BC. A prévia do índice oficial, o IPCA-15, registrou alta de 0,7% em fevereiro, influenciada principalmente pelo aumento nos custos de educação. Em 12 meses, no entanto, o indicador recuou para 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

As projeções do mercado apontam leve alta na inflação para 2026, que passou a ser estimada em 4,1%, ainda dentro do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional, cuja meta central é de 3%, com margem entre 1,5% e 4,5%.

Principal instrumento de controle inflacionário, a Selic influencia todas as taxas de juros da economia, impactando diretamente o crédito, o consumo e os investimentos. Juros mais altos tendem a conter a demanda e segurar os preços, enquanto reduções estimulam a atividade econômica, mas exigem cautela para não pressionar a inflação.

O Copom se reúne a cada 45 dias para avaliar o cenário econômico. No primeiro dia, são analisados dados técnicos sobre a economia nacional e internacional. No segundo, os diretores do Banco Central definem o rumo da política monetária.

Desde 2025, o país adota o sistema de meta contínua de inflação, que considera o acumulado de 12 meses de forma móvel. Nesse modelo, a meta é monitorada mês a mês, permitindo uma avaliação mais dinâmica da trajetória dos preços.

A próxima atualização oficial das projeções do Banco Central será divulgada no fim de março, com a publicação do Relatório de Política Monetária.

Com informações da Agência Brasil