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Da pré-campanha à urna ao Planalto. Déjà vu de 2022

Uma semana de cada vez

Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
22 de junho de 2026 - 20h26

A julgar pelo enfileiramento de turbulência que emerge no entorno da corrida presidencial do Brasil, cabe reconhecer que o ponteiro da bússula oscila de acordo com os escândalos que surgem a cada 2 ou 3 semanas, ora apontando para um lado, ora para outro. 

Trata-se de constatação trágica para o País: as mudanças de direção não acontecem porque o pré-candidato ‘X’ apresentou um projeto de governo mais amplo que o adversário e tampouco porque este aperfeiçoou determinado programa. Não! A alternância não se dá por presunção de avanços sociais ou desenvolvimentistas. Longe disso, o que move o ponteiro não são valores, mas deméritos.

Em vista disso, a 4 meses do segundo turno presidencial, temos que aguardar qual o próximo escândalo vai tornar o ruim ainda pior.

Semana passada esta página pôs em destaque: ‘Flávio amarga o pior momento da pré-campanha’. Mas agora, quando o ‘Caso Master’ chega ao PT, com a Polícia Federal descortinando relação de Jaques Wagner com o ex-banqueiro que é símbolo da maior corrupção na história do sistema financeiro brasileiro, que envolve apartamento, voos nos jatinhos de Vorcaro e, segundo a PF, “o beneficiário central de vantagens econômicas pagas por integrantes do Master”, há de se levar em conta que, a se confirmar as ligações do senador petista e líder do governo Lula no Senado, vai ficar difícil para o presidente manter o discurso de que o PT e o governo nada têm a ver com o Master.

Não obstante as pesquisas monitorem momento específico — isso, sem considerar erros, não raros grosseiros —, mas seja como for indicam uma tendência, os números do Datafolha divulgados no sábado (20) ficam prejudicados visto que a sondagem do instituto não captou a entrada do “galego” — como é chamado Jaques pelo amigo Lula de quase 50 anos — na equação Master. 

Se até maio as pesquisas davam empate técnico entre Lula e Flávio, depois do ‘Dark Horse’ o presidente passou a se distanciar, abrindo vantagem relativamente significativa. Com o envolvimento de Jaques, pode haver encurtamento ou não dessa vantagem.

Seja como for, não muda muito o quadro geral. São 4 meses em que muita água pode passar debaixo da ponte na pré-campanha presidencial que vive uma semana de cada vez.

Déjà vu de 2022. Despolitização e polarização

Das fases que antecedem a eleição, passando das pré-candidaturas às convenções e candidaturas propriamente ditas — campanha, eleição e chegada ao Palácio do Planalto — o Brasil enfrenta tempos de grande adversidade porque a polarização é uma continuidade do que se viu em 2022, onde as divergências deram lugar ao ódio e os discursos às ofensas. O resultado foi um País dividido e que, nos últimos 3 anos e meio — período do mandato de Lula — não conseguiu dissolver o amargor. E ninguém tentou. Nem o presidente, nem a oposição.

O fato é que não houve mudança em direção à politização, mas sim involução que rebaixou a política nacional. Vamos para a eleição 2026 com a mesma pequenez vista em 2022. O quadro é de contaminação generalizada. Salvo se pós-eleição o candidato vitorioso entender que o Brasil não pode perder mais 4 anos em debates inférteis, em troca de acusações e escândalos, o País vai chegar ao pleito de 2030 da mesma forma que agora: economia estagnada, juros altos, inflação, endividamento recorde das famílias, dívida externa nas alturas, aumento de impostos, rombo fiscal e por aí segue.

O PT que dá e o PT que tira

A campanha do presidente Lula enfrenta um problema incontornável: a rejeição. Então é assim: Lula tem a base do PT que lhe é absolutamente fiel. Aos chamados petistas convictos não interessa se o governo foi bom ou péssimo — ou se todas as promessas feitas em 2022 foram cumpridas ou se não desceram do palanque. O eleitor petista vota em Lula e ponto.

Por outro lado, há o sentimento antipetista que é tão forte quanto. Quem não vota no PT, não vota. Está farto de bolsa família, de narrativas, de promessas, de exagerados 38 ministérios, de distorção de números e não quer saber de pacote de bondades porque sabe que a conta vai chegar. 

É simples: de 2002 para cá, são 24 anos. O PT terá governado o Brasil por 18 — exceção, apenas, para os dois anos de Temer e quatro de Bolsonaro. Então, surge a pergunta que não quer calar: se o Brasil enfrenta dificuldades gigantescas e a população sacrifícios incompatíveis com um País continental, por que acreditar que mais um governo petista vai fazer em 4 anos o que não fez em 18. E vamos para 22 anos de administração do PT? 

Ainda nas indagações, onde fica o princípio da alternância de poder, próprio das democracias, se o partido que se diz o mais democrata de todos criou o Mensalão para se perpetuar no poder e está aí até hoje? 

São muitas perguntas à espera de respostas que não chegam nunca.