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Maio Laranja não é apenas uma campanha – Mariana Lontra Costa

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Artigo
Por Redação
24 de maio de 2026 - 0h01

Mariana Lontra Costa – Presidente da OAB/Campos – Maio Laranja não é apenas uma campanha. É um grito que precisa romper o silêncio que, durante anos, protegeu agressores e condenou vítimas ao medo, à culpa e à dor calada. Falar sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes incomoda, e talvez justamente por isso seja tão urgente insistir nesse debate.

O dia 18 de maio foi escolhido em memória de Araceli Cabrera Crespo, que aos 8 anos desapareceu em Vitória – ES, em 1973. Ela foi vítima de crueldade e desumanidade, se tornando símbolo da luta. Décadas depois, sua história ainda provoca indignação não apenas pela violência sofrida, mas também pelo sentimento de impunidade que atravessou o caso.

Precisamos quebrar o tabu de olhar para essa violência como algo distante. O perigo não está só nas ruas escuras ou em rostos desconhecidos. Ele mora perto, frequenta a casa, participa da rotina e conquista a confiança da vítima antes de destruir sua infância.

Conscientizar é fundamental. Ensinar crianças e adolescentes sobre proteção, escuta e limites é um passo necessário. Incentivar denúncias também é indispensável, porque o silêncio nunca protegeu ninguém. Mas há uma reflexão que precisa ser feita: não basta só falar sobre prevenção se a sociedade ainda falha em garantir cumprimento das leis e punição efetiva.

Essa percepção surgiu de forma marcante após um evento sobre o tema, quando Letícia Peixoto Póvoa, de 17 anos, observou algo pertinente: fala-se muito sobre a vítima, mas pouco sobre o destino do criminoso. A inquietação desta jovem trouxe um questionamento:Qual mensagem estamos transmitindo quando o debate não enfatiza, com firmeza, a responsabilização de quem destrói vidas?

A impunidade também violenta, desestimula denúncias, enfraquece a confiança na Justiça e perpetua ciclos de abuso. Proteger crianças e adolescentes exige mais do que campanhas simbólicas. Exige mobilização coletiva, porque essa realidade não pode ser dolorosa só para as vítimas. O verdadeiro constrangimento precisa recair sobre quem pratica a violência.Que o Maio Laranja ecoe como forma de compromisso permanente com a proteção da infância.

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