

A Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes realizou, nesta segunda-feira (18), uma audiência pública para discutir a mobilidade urbana no município, com o foco no uso de bicicletas, bicicletas elétricas e scooters.
O encontro reuniu vereadores, representates da Guarda Civil Municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Hospital Ferreira Machado (HFM), Fundação Municipal da Saúde (FMS), Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Secretaria de Mobilidade Urbana, Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL) e empresários do município.


Anderson de Matos (Republicanos) fez a solicitação para a realização da audiência pública. O vereador destaca a responsabilidade individual como ponto de partida para a redução de acidentes. “Parece simples, mas parar, olhar para os dois lados antes de atravessar uma rua é algo que não está acontecendo em larga escala. Sem esse cuidado básico, nenhuma ação do poder público trará o efeito desejado”, pontuou. Ele adiantou que as sugestões apresentadas durante a audiência serão transformadas em reuniões e ofícios para que medidas concretas sejam implementadas.
Dados apresentados pelos representantes do Hospital Ferreira Machado mostram uma escalada no número de atendimentos a vítimas do trânsito.
De acordo com o diretor do Pronto Socorro da unidade, Dr. Fábio Macedo, as motocicletas ainda lideram as estatísticas, mas acidentes envolvendo veículos elétricos passaram a preocupar pela gravidade das lesões.


“Os pacientes chegam com traumas bastante severos. É um fenômeno que nitidamente sobrecarrega a nossa capacidade de atendimento. Notamos que muitos condutores desses equipamentos pilotam em velocidades consideráveis, sem qualquer preparo para o trânsito”, afirmou o médico, citando o caso de uma criança de 9 anos que teve uma perna mutilada em um acidente de trânsito.
Presidente da CDL-Campos, Fábio Paes classificou a situação da cidade como um atraso histórico na área de mobilidade. “Se começássemos a executar projetos já amanhã estaríamos atrasados. A última grande intervenção foi no início do ano 2000 com a avenida Arthur Bernardes”, afirmou.


De acordo com Fábio, as diversas medidas para um ordenamento de trânsito que envolve os ciclistas, que são as ciclofaixas, não seguem padrões e expõe seus usuários à riscos. “A precariedade do transporte público empurra a população para a bicicleta, mas não há projetos que entreguem segurança física para esses usuários”, adiciona.


O coordenador de trânsito da Guarda Civil Municipal, Anderson Batista, reforçou que boa parte dos condutores de bicicletas elétricas circulam sem a devida instrução sobre as regras de trânsito. “Essas pessoas estão no trânsito diariamente sem ter noção do papel que exercem. A audiência serve justamente para abrir esse debate, trazer informação e construir soluções que tornem o trânsito mais humanizado e seguro”, destacou.


O diretor de projetos do IMTT, Paulo Dias reforçou a necessidade de união institucional e investimento em educação no trânsito. “Se não nos unirmos, poder público e iniciativa privada, não vamos resolver. Precisamos voltar à base: comunicação e educação. O modal elétrico explodiu e a desinformação é muito grande”, afirmou, lembrando que as primeiras ciclofaixas de Campos datam do início dos anos 2000.