

Com a semana inteira por conta de feriados e pontos facultativos, já podemos considerar abril como encerrado e a partir de maio estaremos a cinco meses e alguns dias da eleição presidencial. Não é o correto e tampouco produtivo. Ao contrário, a antecipação do debate, via pré-candidaturas, joga em desfavor do Brasil. Afinal, os temas de interesse do País são escanteados e dão lugar às estratégias, arranjos, acordos e tudo o mais que leve a um único propósito: a melhor condição no palco do 4 de outubro.
A bem da verdade não se trata do maio que se aproxima ou do abril que se despede. Trata-se de temática que vem de longe e, senão antes, percorreu o ano de 2025 inteiro. Aliás, no Brasil é comum o vencedor do pleito tomar posse num dia e no seguinte já mirar na próxima eleição.
Logo, apesar do calendário estabelecer que os registros de candidaturas ocorram a partir de 25 de julho, com a propaganda eleitoral começando em 16 de agosto, na prática, de forma mais ou menos disfarçada, não é assim que funciona.


Antes das considerações de 2º turno — que serão feitas na próxima publicação — só numa reviravolta de 180º o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (não necessariamente nesta ordem) deixarão de ser os dois mais votados no 1º turno. Ocorre que com ligeiras diferenças, as pesquisas dos principais institutos mostram Lula e Flávio orbitando acima dos 30%.
Não importa se 37% para um e 35% para outro — ou algo parecido, até porque esses percentuais tendem a oscilar — mas o que vale dizer é que, de acordo com os apanhados, o terceiro colocado — por ora o ex-governador Ronaldo Caiado — soma entre 4% e 6%. Assim, teria que crescer mais que cinco vezes para alcançar os que, segundo as pesquisas, estão na frente. É possível? Claro que sim. Provável? Aí a coisa fica estreita. O mesmo vale para o 4º colocado, na casa dos 3% das intenções de voto, no momento atribuídos ao pré-candidato Romeu Zema, bem como os demais em ordem decrescente de pontos.
Boa fatia de cientistas
políticos considera
que Lula amarga o
pior governo de seus
três mandatos, superando
até mesmo o fatídico
Mensalão de 2005
Subindo nas pesquisas,
Flávio Bolsonaro vai
enfrentar temas difíceis
na campanha. ‘Rachadinha’
e compra de mansão
milionária em Brasília
vão entrar no pacote
É relevante frisar que enquanto o voto não for inserido na urna, nada é certo.
Primeiro: as pesquisas erram e retratam o momento — não o ponto futuro. No pleito de 2022, dois institutos dos mais conceituados apontavam vitória de Lula no 2º turno por cerca de 10%. Mas o líder petista venceu por apertados 1,8%.
Segundo: até agosto, não há certeza quanto a quem poderá entrar ou sair do páreo. Exemplo é o recente convite de Aécio Neves para que Ciro Gomes dispute a Presidência pelo PSDB. Caso aceite, sua inclusão vai provocar reflexos no quadro.
A princípio, Ciro tem grande chance de se eleger governador do Ceará — pré-candidatura que está colocada. Mas, pode entrar no páreo pensando em vitória ou, quem sabe, numa pasta ministerial. Quanto a Zema, irá tentar mesmo o Palácio do Planalto? Ou, de acordo com as circunstâncias, muda a chave para o Senado?
Desse modo, por enquanto a especulação fala mais alto. Há boatos — possivelmente infundados — de que o próprio Lula poderá sair da disputa. É improvável. Mas a possibilidade não pode ser de toda descartada.
O eleitor — Em terceiro lugar, tem a questão do eleitor. Uma parte está convicta sobre quem vai votar. Outra, tem dúvidas. Outra, ainda, pode mudar o voto a qualquer momento, inclusive defronte à urna. Por isso é que se diz que eleição e jogo de futebol não se ganham nem se perdem de véspera. Até nos últimos segundos da prorrogação tudo pode mudar. (*Continua na próxima edição).