



Os crimes de estelionato cresceram de forma alarmante em Campos na última década. Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) mostram que os registros saltaram de 714 casos, em 2015, para 3.277 em 2025, um aumento superior a 300%. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, já foram contabilizadas 480 ocorrências nas duas delegacias do município.
O avanço fica evidente em investigações recentes. Em janeiro, o Ministério Público denunciou 12 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha especializada em clonagem de cartões bancários, com atuação em Campos. Segundo as apurações do núcleo de crimes cibernéticos, o grupo movimentou mais de R$ 120 milhões, usando “laranjas” para pulverizar valores e dificultar o rastreamento. Parte dos golpes envolvia ainda a falsificação de sites de vendas online.
Na última quarta-feira (1), houve uma operação da Polícia Civil em São Fidélis. Um homem é investigado por aplicar golpes na suposta engorda e venda de gado. Uma das vítimas, moradora de Campos e com 70 anos, relatou prejuízo superior a R$ 200 mil após entregar animais e dinheiro sem nunca ver retorno das vendas prometidas.


Como funciona o esquema
O estelionato afeta tanto indivíduos quanto empresas. Entre os exemplos comuns para o crime estão o golpe do falso parente no WhatsApp, venda de produtos inexistentes, falso bilhete de loteria premiado, fraudes bancárias e falsos funcionários. Segundo o advogado Lucas Vital, a prevenção passa por atitudes simples. “É fundamental desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro, confirmar por ligação, evitar clicar em links suspeitos e ativar a verificação em duas etapas nos aplicativos. Bancos nunca ligam pedindo senha ou código. Quando a oferta parece boa demais ou a pressa é grande, quase sempre é golpe”, alerta.
Em caso de prejuízo, a orientação é agir rapidamente. “A vítima deve comunicar o banco imediatamente, tentar o bloqueio do valor e registrar a ocorrência o quanto antes, reunindo o máximo de provas possíveis, como prints de conversas, comprovantes de Pix, dados da conta que recebeu o dinheiro e números de telefone envolvidos. A partir disso, a vítima pode representar criminalmente contra os responsáveis e, com a identificação dos autores, buscar também a reparação dos prejuízos na esfera cível, inclusive por danos morais”, explica o advogado.
A reportagem procurou a Polícia Civil para saber sobre as ações adotadas para investigar, coibir e reduzir os crimes de estelionato em Campos, especialmente diante do avanço dos golpes virtuais e digitais, e como a instituição avalia a eficácia dessas medidas frente ao crescimento dos números. Até o fechamento desta edição, não houve retorno.