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Depois de quase dois anos e meio, nova versão da covid-19 assusta

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Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
28 de julho de 2022 - 17h04

Quando o coronavírus virou o mundo de ponta cabeça, será que alguém calculou que depois de praticamente dois anos e meio a doença ainda estaria presente, e dando sinais de aceleração? Dificilmente. 

Evidente, em qualquer cenário há sempre os pessimistas de plantão. Aqueles que se valem da “ciência” do achismo para destilar os famosos “eu sabia”, “eu falei” e “eu disse”, tentando convencer que os ‘chutômetros’ – baseados em nada ou coisa alguma – tinham alguma base científica. 

Logo, os que afirmaram que a covid “ficaria para sempre”, mercê das mutações, afiguram-se aos que erram por azar e acertam por sorte. Não havia em 2020 – e ainda não há hoje – conhecimento da doença a tal nível.  

A ciência está aprendendo… tentando entender a doença. Aquilo que os infectologistas, epidemiologistas, sanitaristas, microbiologistas, pneumologistas e médicos de outras especialidades ‘descobrem’ hoje, acaba atropelado pela surpresa do amanhã.  

Vacinação – As variantes – que desanimadoramente parecem intermináveis – são um desafio constante. As vacinas não têm eficácia de 100%. Isso, todos sabemos. Contudo, o entendimento predominante é o de que barram a contaminação num percentual sobremaneira elevado e, em caso de contágio, evitam – também em grande número – que a doença evolua para um quadro mais grave. Mas eficácia absoluta não existe. Fosse diferente e o vírus não estaria mais circulando.  

Variantes são provação global 

De acordo com recentes boletins da Organização Mundial da Saúde, a variante BA.5, presente nos Estados Unidos e em vários países da Europa,  faz com que o vírus esteja se espalhando novamente: “… Evoluindo, escapando da imunidade e gerando um aumento nos casos e hospitalizações. A versão mais recente de sua mudança de forma, BA.5, é um sinal claro de que a pandemia está longe de terminar” – alerta a OMS.  

“Pior versão do vírus” – Estudos realizados nos Estados Unidos revelam a preocupação com a nova ramificação dabÔmicron, associada a uma variante intimamente relacionada com a BA4, que vem alimentando o crescimento global de casos. 

Segundo o cardiologista americano Eric Topol, da Universidade Michigan e professor de medicina molecular da Scripps Research, a variante BA.5 é “a pior versão do vírus que já vimos”. E acrescentou: “Leva o escape imunológico, já extenso, para o próximo nível e, em função disso, maior transmissibilidade, muito além das versões anteriores da Ômicron”. 

No Brasil – Aqui as informações sobre a presença da BA.5 são relativamente desencontradas. Assim, a despeito do aumento expressivo da média móvel de óbitos e de casos no País, ainda não se estaria verificando aqui algo dramático, como nos primeiros meses de 2021. Isso, graças, particularmente, às vacinas. 

Por outro lado, conforme advertiu recentemente a Rede Genômica Fiocruz, “o Brasil atravessa presença crescente da BA.4 e BA.5, o que pode levar a uma nova onda de reinfecções”.   Números – Baseado num período de 10 dias da semana passada – de 12 a 21 de julho – a média móvel de mortes vem acelerando ininterruptamente, em particular na comparação ao registrado em maio/junho. Nesses 10 dias, morreram 2.737 pessoas – média/dia acima de 273 óbitos. Na 4ª-feira, 27, nova aceleração: 308 óbitos em 24h.

Negligência alimenta o vírus 

Não foi pouco o conteúdo produzido por esta página em torno do coronavírus. Ao contrário, vem batendo e batendo na mesma tecla desde o início da pandemia. Entre entrevistas, notícias, análises e reproduções do que tem sido dito pelos principais especialistas no assunto, foram páginas e páginas. 

Entretanto, não se entende o porquê de tamanha resistência de parte de população e – pior ainda – da maioria dos governantes, em seguir recomendações simples, mas que podem frear o contágio. 

Lá atrás, repercutimos fala do diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, que enfatizou: “O vírus não age sozinho, o vírus explora uma vigilância fraca. O vírus explora os sistemas de saúde fracos. O vírus explora a má governança. O vírus explora falta de educação, falta de empoderamento das comunidades”. 

Falta de zelo – Assim, não obstante estejamos diante de uma doença global, é necessário reconhecer que o Brasil não faz sua parte. Há pouco mais de 100 anos, nos meses finais da Primeira Grande Guerra (1914-1918), o mundo foi abalado pela Gripe Espanhola que, acredita-se, tenha começado nos EUA, no estado do Kansas. 

Se a guerra, por si só, representava grave crise sanitária, o que dizer de um mundo de pouca atenção à Saúde Pública e sem nenhuma tecnologia. Os soldados morriam nas trincheiras e os civis em suas casas. 

Tempos difíceis – No Brasil, não havia hospitais públicos na configuração do que hoje se conhece. O primeiro antibiótico só apareceu em 1928 e a vacina contra a Gripe Espanhola foi desenvolvida quase duas décadas depois. 

Contudo, a pandemia do início do século passado durou menos tempo que a da covid. No Brasil, matou 35 mil pessoas – percentual menor do que o número de vidas já perdidas para o coronavírus. 

Sem remédio e sem vacina, a doença foi combatida com recomendações expressas de que a população deveria evitar ambientes fechados, aglomerações, contato físico e lavasse as mãos com frequência. Por último, que usassem máscara. 

Fica a reflexão: não fosse a vacina, qual seria a realidade do Brasil – um País que faz carnaval na pandemia, patrocina festas públicas, permite as privadas, não combate aglomeração e desobriga o uso de máscara?