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Lula atribui virada à juventude e fala em proteger Brasil; Flávio diz ser ‘impossível’ reconhecer resultado

Em virada histórica, Lula derrotou Flávio e conquistou quarto mandato

Eleições 2026
Por Redação
25 de outubro de 2026 - 23h13
Fotos: Sebastião Moreira/EFE e Joédson Alves/Agência Brasil

A dois dias de completar 81 anos de idade e recém-eleito para seu quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a apoiadores e à imprensa que fará “o melhor mandato que um presidente já fez”. O atual presidente se reelegeu com 51,78% dos votos válidos contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 99,98% das urnas apuradas, virando o resultado do primeiro turno – o que nunca havia acontecido na história do país.

No palco do auditório onde estava reunido o comitê da reeleição, Lula parou simbolicamente entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e o deputado federal André Janones (Rede), que assumiu a dianteira da campanha lulista nas últimas três semanas, sobretudo entre jovens.

O discurso não jogou luz sobre as declarações de Flávio Bolsonaro de que pedirá anulação das eleições. O dia foi marcado por uma série de dúvidas e insegurança após o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal federal (STF), estender por duas horas o horário de votação, o que fez com que os bolsonaristas alegassem interferência indevida.

Em seu pronunciamento, o presidente Lula agradeceu “a generosidade da juventude brasileira que foi pra rua” e disse que ficou emocionado com a magnitude do ato de apoiadores na avenida Paulista na véspera da eleição. Também citou a mobilização dos jovens para “levar seus avós” para votar.

“Eu queria agradecer ao povo brasileiro pela generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, nesse 2º turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para a rua para defender a democracia. Quero agradecer às pessoas idosas. Eu vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para ir votar; pessoas impossibilitadas de se locomover, pessoas com câncer e com outro tipo de doença. E as pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia do país. Quero agradecer à sociedade como um todo”, disse.

“Eu estou dizendo isso porque o que eu vi neste turno, nessas eleições, em todos os estados brasileiros —mas sobretudo o que eu vi na Avenida Paulista ontem— é algo incrível. A gente nunca conseguiu ver, não só pela quantidade de gente, mas pelo entusiasmo. Eu fiquei muito emocionado, deu vontade de pedir para cantar o hino da independência. Fiquei boquiaberto ao ver o entusiasmo das pessoas cantando: “Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil”, numa demonstração de que este país não aceita ser quintal de ninguém”, completou, em outro trecho.

Flávio chama resultado do segundo turno de ‘sacanagem’

Flávio Bolsonaro criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar em duas horas o horário de encerramento da votação. Flávio disse que vai pedir a anulação das eleições.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, e ex-advogado do Lula dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17:01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil”, disse.

Logo após o resultado apontar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como vencedor do segundo turno, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que tem “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.

Flávio, ainda assim, insistiu que “é impossível reconhecer esse resultado”.

“É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, disse o candidato derrotado.