

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) estará representada na Europa em 2027. Aos 21 anos, a estudante de Pedagogia Amanda Melo Hambrich foi premiada no XVIII Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica (Confict) e vai fazer um intercâmbio na Universidade de Coimbra, em Portugal, entre fevereiro e março de 2027.
Com o trabalho “Oralidade, transmissão e tradição: o desafio da formação nas expressões culturais de matriz africana”, Amanda Melo ficou em 1º lugar nas apresentações orais do Eixo 3 — “Educação, Redução das Desigualdades e Justiça Social”.
A pesquisa foi realizada no município de Cabo Frio, na Região dos Lagos. Orientado pelo professor Giovane Nascimento, o trabalho estuda o GRIOT, um coletivo de pesquisa, difusão e memória em tradições afro-brasileiras. O grupo tem à frente a professora e mestra Márcia Fonseca e a professora Andrea Fernandes.
“A pesquisa surge com o intuito de estudar sobre expressões culturais de matriz africana no interior do Rio, ao identificar uma certa ausência de registros, seja sobre suas figuras históricas, sua contextualização, ou a transmissão dessas tradições”, conta Amanda.
Ela acrescenta ainda que o estudo tem o objetivo de investigar a oralidade na sustentação das expressões culturais de matriz africana, buscando compreender o processo de transmissão do saber e a resistência dos conhecimentos de geração em geração.
“Percebemos que nas tradições afro-brasileiras, o conhecimento não se limita à escrita. Ele, na verdade, é construído pelo convívio, pela performance e pela vivência no geral. Neste processo, estudamos a tradição oral nesse contexto e observamos que ela conta com vários elementos, como a escuta, o silêncio e a observação”, pontua. E acrescenta:
“A pesquisa então vai se concluindo, mostrando que dentro das tradições de matriz africana existem vivências muito amplas, e que podem contribuir para o mundo acadêmico. Levando, por exemplo, para o contexto da educação, ressaltando a Lei 10.639, que fala sobre o ensino das tradições da cultura afro-brasileira, a gente trata não só do que ensinar, mas do como ensinar, do contexto de não olhar só para o conteúdo, mas também para as metodologia e práticas de ensino”, complementa.


Amanda também é membro do Escritório de Cultura da UENF, sediado na Casa de Cultura Villa Maria. O Escritório é vinculado à Diretoria de Cultura da universidade, que tem à frente o professor Giovane Nascimento. Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana, ele também é coordenador e criador do Grupo de Estudos e Práticas Musicais (GEPMU) da UENF. O reconhecimento da pesquisa orientada por Giovane vai levar a estudante a um intercâmbio de estágio pelo período de um mês, acompanhando um tema que converse com o trabalho feito aqui na UENF.
“Vou trabalhar com a professora Cristina Sá Valentim, antropóloga social-cultural, que realiza uma pesquisa dentro da antropologia, da sociologia, da história, da etnomusicologia e de todos os estudos pós-coloniais. É um trabalho etnográfico realizado em Portugal e em Angola, tendo como base um arquivo de canções populares do país africano, onde ela estuda a resistência africana a partir dos arquivos sonoros produzidos em território angolano durante o colonialismo português”, conta. E acrescenta, sobre a relação da pesquisa com o seu estudo pela UENF:
“O trabalho da professora Cristina dialoga totalmente com o que eu falo, porque eu venho no meu estudo procurando a transmissão do saber através da sonoridade. Minha pesquisa discute como a cultura para a população preta vem de uma parte de resistência do movimento pós-diáspora. A investigação realizada por ela, discute também como é feita essa articulação pela inclusão da memória e dos conhecimentos dentro do meio acadêmico. A gente trabalha no mesmo campo. Só que eu analiso as tradições afro-brasileiras e ela estuda as sonoridades produzidas em Angola”, explica.
Por fim, a estudante comenta sobre a expectativa para o trabalho em Portugal. “Vou acompanhar a metodologia de trabalho e o andamento do projeto desenvolvido na Universidade de Coimbra. Vou fazer visitas, acompanhar seminário, fazer apresentação, conhecer museus, toda essa parte que compõe a pesquisa, tendo a oportunidade de aprender um pouco mais, em outra realidade”, concluiu.