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Março termina: a violência continua – Mariana Lontra Costa

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Artigo
Por Redação
29 de março de 2026 - 0h01
Foto: Shutterstock

Mariana Lontra Costa – Presidente da OAB/Campos – Março chega ao fim. Mas o que ele nos deixa está longe de ser simbólico.

As notícias seguem brutais. Um estupro coletivo no Rio de Janeiro. Um agente da Polícia Rodoviária Federal que matou a companheira, comandante da Guarda Municipal de Vitória, e tirou a própria vida. Uma jovem esfaqueada por não aceitar um pedido de namoro. Uma professora de Direito assassinada dentro de uma Faculdade. Casos que chocam, mas que, infelizmente, não são exceção.

Não são fatos isolados. São expressões de um problema estrutural: a violência contra a mulher.

A cada novo episódio, a sociedade se indigna, comenta e segue. E é justamente esse ciclo que precisa ser rompido. Porque a violência não começa na tragédia. Ela começa no controle, no ciúme, na ideia de posse, na recusa em aceitar a autonomia feminina.

Por isso, o alerta começa dentro de casa. Educar meninas é fortalecê-las para que nunca aceitem menos do que respeito. Educar meninos é ensiná-los sobre limites, frustração e que “não” é uma resposta legítima. Que mulher não é propriedade.

Esse não é um debate só das mulheres. É, sobretudo, um chamado aos homens. É preciso romper o silêncio, rever comportamentos e não compactuar com atitudes abusivas.

Às autoridades, cabe agir com prevenção, estrutura e eficácia. Ao legislador, garantir leis que funcionem na prática. Nesse contexto, a recente aprovação, pelo Senado, da inclusão da misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação representa um avanço relevante reconhecendo, no plano legal, uma violência que há muito tempo já se impõe na realidade. Mas leis, por si só, não transformam culturas. Ao Judiciário, cabem decisões firmes e sensíveis diante de cada sinal de violência.

Encerrar março não pode significar encerrar a reflexão. Porque a repetição desses fatos revela que ainda estamos aquém da urgência que a realidade impõe.

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