×
Copyright 2024 - Desenvolvido por Hesea Tecnologia e Sistemas

O peso da escolha

.

Opinião
Por Redação
27 de setembro de 2026 - 0h01
Foto: Silvana Rust

A poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, o eleitorado se depara com um cenário paradoxal. Se, por um lado, a Justiça Eleitoral exibe uma engrenagem de eficiência e transparência, com urnas eletrônicas auditadas e preparadas para receber mais de 158 milhões de votos, por outro, as ruas de Campos dos Goytacazes revelam um desencanto profundo e uma desconfiança que ameaçam o próprio significado do pleito.

O problema não está nas máquinas, mas no clima que envolve a disputa. A polarização, os escândalos, a desconfiança nas instituições e a sensação de que promessas não se cumprem têm afastado alguns eleitores da política. Nas ruas, o silêncio chama atenção. A campanha migrou para as redes, para grupos fechados, para bolhas onde a hostilidade cresce e o debate público se estreita. O desencanto é real e não pode ser ignorado.

Mas o retrato mais fiel desta eleição está justamente no contraste encontrado pela reportagem. De um lado, quem já não acredita que o voto produza mudanças; de outro, eleitores que ainda enxergam nas urnas uma possibilidade concreta de participar dos rumos do país. Entre a dúvida e a esperança está a decisão individual de cada cidadão.

A democracia não elimina frustrações, divergências ou crises. É dentro dela que essas diferenças precisam encontrar espaço para existir sem que a vontade de uns seja imposta aos demais. O voto livre, secreto e consciente continua sendo o instrumento que transforma opinião em escolha.

No dia 4, cada eleitor terá alguns segundos diante da urna. Pode parecer pouco. Mas é nesse instante que milhões de decisões individuais passam a compor o destino coletivo do país.