

O delegado Felipe Curi, candidato a deputado federal pelo Partido Progressistas (PP), esteve no J3News na manhã desta segunda-feira (3), onde foi recebido pelo diretor do jornal, Fábio Paes. Em uma entrevista sobre segurança pública, Curi defendeu que o enfrentamento à criminalidade no estado do Rio precisa ir além da atuação das forças policiais e passar por mudanças na legislação federal.
Com experiência à frente da Secretaria de Estado de Polícia Civil, Curi afirmou que a vivência na gestão da segurança pública tranformou sua percepção sobre os caminhos para enfrentar a violência. Para ele, a legislação penal, processual e de execução penal precisa ser revista para evitar que o trabalho das polícias seja seguido pela rápida liberação de criminosos.
“Depois dessa minha experiência como secretário, me abriu um pouco a mente. E, realmente, eu vi que não tem outra forma de a gente iniciar uma melhora se não pela mudança da legislação”, afirmou.
Nomeado pelo então governador Cláudio Castro (PL) em setembro de 2024, Curi esteve no cargo até março passado, quando se licenciou para concorrer nas próximas eleições.
Município também no combate ao crime
Na avaliação do delegado, a segurança pública não deve ser tratada apenas como responsabilidade dos governos estadual e federal. Curi apontou a chamada desordem urbana como uma das etapas que podem anteceder o avanço de crimes mais graves e a ocupação de territórios por grupos criminosos.
“Antes da violência, até do crime mais violento, da facção, do domínio do território, vem a desordem urbana e o abandono da cidade. Em qualquer lugar do mundo, não existe cidade que se tornou violenta sem que antes ela tenha sido abandonada”, disse.
Nesse contexto, defendeu uma participação mais ativa dos municípios, inclusive por meio das guardas municipais e dos setores responsáveis pela fiscalização de posturas e pela segurança urbana. Segundo Curi, o controle de problemas considerados ‘menores’ pode impedir que áreas sejam gradualmente ocupadas pelo crime organizado.
“O território é dominado a partir da ausência do governo. Se o município toma conta do básico, impede, em muitas vezes, uma facção de colocar a barricada. Porque o criminoso encontra o lugar vazio e vai tomando conta. Tem o fuzil e a barricada, já está dominando o território, exporquindo morador, comerciante, empresário”, afirma.
Legislação e maioridade penal
A dificuldade de manter presos autores de crimes como furto também foi abordada. Curi afirmou que alterações nas regras dependem do Congresso Nacional, já que a legislação penal e a execução das penas são definidas em âmbito federal.
“Furto, receptação, roubo. O roubo o cara ainda fica um pouquinho mais. Mas agora o furto, o cara vem aqui na padaria, rouba um biscoito, vai ser preso, daqui a duas horas está solto. Vai lá roubar de novo”, afirmou.
O candidato também defendeu a redução da maioridade penal. A proposta apresentada por ele prevê que a idade seja reduzida para 14 anos, acompanhada de uma ampliação do período de internação de adolescentes envolvidos em crimes graves.
“Defendo que deve ser reduzida não só a redução, mas o aumento do tempo de internação. (…) Então eu sou favorável à redução da maioridade penal para 14 anos e ao aumento do período de internação de três para até 15 anos nos casos de crimes graves”, declarou.
Durante a passagem pelo J3News, falou ainda sobre operações policiais realizadas no Rio de Janeiro e sobre casos de grande repercussão. Entre os assuntos abordados estiveram a operação no Complexo do Alemão e na Penha, as prisões do rapper Oruam e do funkeiro Poze do Rodo e a Operação Caminhos do Cobre, voltada ao combate a crimes relacionados ao furto e à receptação de materiais.
Também tratou dos desafios enfrentados pelas polícias diante de organizações criminosas cada vez mais estruturadas.
A visita ao J3News fez parte da agenda de Curi em Campos, em um momento de preparação para a disputa eleitoral.