

Um diretor de uma escola da rede estadual no Noroeste Fluminense denunciou à Polícia Federal ter sofrido pressão para liberar aproximadamente R$ 200 mil da conta de uma unidade escolar. Segundo o relato, os recursos seriam utilizados para abastecer a campanha eleitoral de Thamires Rangel (PMB), filha do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), alvo da quarta fase da Operação Unha e Carne. A denúncia foi publicada pelo Jornal O Globo nesta quinta-feira (21).
De acordo com a denúncia anexada às investigações da Polícia Federal, o esquema envolveria a emissão de uma nota fiscal falsa para justificar a retirada do dinheiro da conta da escola, com a promessa de devolução dos valores dias depois. O diretor afirmou ter recusado a operação por receio de comprometer sua responsabilidade funcional.
Ainda conforme o depoimento, as cobranças teriam se intensificado após a negativa inicial. O servidor relatou ter recebido ligações insistentes e até uma videochamada envolvendo o assessor parlamentar Luis Fernando Passos de Souza e o próprio deputado Thiago Rangel, que teria defendido a liberação do pagamento e prometido novas emendas parlamentares para futuras obras na unidade escolar.
O diretor também afirmou que outros gestores da rede estadual enfrentavam pressões semelhantes para antecipar pagamentos relacionados a contratos de obras. Diante da situação, ele decidiu reunir o conselho escolar e registrar em ata que a unidade não realizaria pagamentos antes da conclusão dos serviços.
A Polícia Federal sustenta que o grupo investigado atuava no direcionamento de obras em escolas estaduais para empresas previamente escolhidas, com posterior repasse de parte dos recursos públicos aos integrantes da suposta organização criminosa.
As investigações apontam ainda suspeitas de expansão do esquema para dentro da Secretaria de Estado de Educação após a eleição de Thiago Rangel para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), especialmente em municípios do Norte e Noroeste Fluminense.
Mala de dinheiro
A investigação da Polícia Federal também encontrou, no celular do deputado estadual Thiago Rangel , um vídeo que mostra uma mala recheada de dinheiro em espécie. Segundo a corporação, as imagens registrariam cerca de R$ 500 mil em cédulas e fariam parte de um suposto esquema de caixa dois para financiar campanhas po
Na mesma representação enviada ao STF, os investigadores suspeitam que o montante integre um acordo mais amplo, estimado em R$ 2,9 milhões, destinado ao grupo político de Rangel. A PF afirma que parte dos recursos seria usada também na campanha de Thamires Rangel, além de outros candidatos aliados no Norte Fluminense.
Os investigadores apontam ainda suspeitas de participação do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil) na articulação dos repasses. Bacellar nega irregularidades.
O que a defesa diz:
A defesa de Thiago Rangel mais uma vez reafirma a inocência do deputado face aos fatos que lhe estão sendo equivocadamente imputados pela Polícia Federal, e acriticamente reproduzidos pela mídia.
A ilação em questão diz respeito a denúncia anônima, sem qualquer tipo de verificação prévia, noticiando fatos absolutamente inverídicos e sendo absurda a veiculação desse mero papel como se verdade fosse
Frise-se ainda que Thiago Rangel jamais possuiu operador financeiro, jamais recebeu repasse de valores ilícitos de quem quer que seja, e jamais praticou fraudes em sua absolutamente lícita e regular atividade empresarial.