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BC corta juros básicos para 14,75% ao ano após quase dois anos sem redução

Decisão unânime do Copom reflete cautela diante de cenário internacional e inflação ainda sob monitoramento

Economia
Por Redação
19 de março de 2026 - 7h21

Ilustração/Arquivo

O Banco Central deu início a um novo ciclo de flexibilização monetária ao reduzir, nesta quarta-feira (18), a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 14,75% ao ano. A queda de 0,25 ponto percentual foi definida por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e já era amplamente esperada pelo mercado financeiro.

A decisão marca o primeiro corte nos juros em quase dois anos, em um contexto ainda marcado por incertezas externas, especialmente relacionadas aos conflitos no Oriente Médio. Em comunicado, o Copom destacou que o ambiente internacional exige prudência e não descartou ajustes futuros no ritmo de redução da taxa, conforme a evolução do cenário.

Segundo o colegiado, a condução da política monetária seguirá pautada pela cautela, considerando os impactos diretos e indiretos das tensões geopolíticas sobre a inflação. O comitê reforçou que novas decisões dependerão da maior clareza sobre o comportamento dos preços ao longo do tempo.

A Selic estava em 15% ao ano desde junho do ano passado. O último corte havia ocorrido em maio de 2024, quando a taxa passou de 10,75% para 10,5%. A partir de setembro daquele ano, no entanto, o movimento foi de alta, levando os juros novamente ao patamar mais elevado até então.

Principal instrumento de controle da inflação, a taxa básica influencia diretamente o custo do crédito e o nível de atividade econômica. Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,7%, pressionado principalmente pelas mensalidades escolares. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

O sistema de metas de inflação passou a operar de forma contínua desde janeiro deste ano. A meta central estabelecida é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, entre 1,5% e 4,5%. Nesse modelo, a apuração é feita mensalmente, com base no acumulado em 12 meses, tornando o acompanhamento mais dinâmico.

As projeções do Banco Central indicam inflação de 3,5% em 2026, embora o número deva ser revisado diante das oscilações cambiais e do cenário internacional. Já o mercado financeiro, segundo o boletim Focus, estima inflação de 4,1% ao fim do ano, ainda dentro do limite da meta.

Com a redução da Selic, a tendência é de estímulo à atividade econômica, já que o crédito tende a ficar mais barato, favorecendo o consumo e os investimentos. Por outro lado, o movimento exige atenção redobrada da autoridade monetária para evitar pressões inflacionárias.

O Banco Central também projeta crescimento de 1,6% para a economia em 2026, enquanto analistas do mercado trabalham com uma expansão ligeiramente maior, de 1,83% do Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte: Agência Brasil