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O Brasil no olho de um furacão de conflitos

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Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
6 de fevereiro de 2023 - 17h08

Impressiona que o Brasil, que figura entre os países de maior potencial do mundo, com todos os recursos necessários para estar entre os primeiros do ranking e estender a seu povo qualidade de vida sem igual, permaneça ‘empacado’, feito burro chucro, e não deslanche. 

Nos destaques desta página, a ênfase dada à festa de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se baseia na comemoração em si, ou no número expressivo de convidados (3.500), e nem mesmo do sigilo de 5 anos da lista.  

Não! O que assusta é que depois de mais de um mês, o governo federal ainda cuide de assunto de ‘tamanha importância’ para o país – desta vez para tirar o sigilo em virtude da repercussão negativa. 

É evidente que pelo momento porque atravessa o Brasil, a cerimônia deveria ser pautada pelo comedimento. Por outro lado, ‘melhor assim’ do que em 2003, quando Marcos Valério (mais adiante conhecido como ‘o operador do Mensalão e condenado por vários crimes), “ajudou” a pagar a festa. 

Desafios imensos – Seja como for, a questão é de prioridade. Desnecessário repetir que o país atravessa séria turbulência em diferentes setores, instabilidade política, crise econômica e não atende minimamente às necessidades do povo. Logo, não deveria estar discutindo festa.  

Na prática, o governo Lula começou desde o início de novembro. No dia 04/11, o Globo publicou “Nova administração ocupa rapidamente a cena política no vácuo de um governo que já acabou”.  

É compreensível: o PT fez contas de vencer no 1º turno ou colocar 17/19 pontos de diferença. Mas venceu por apenas 5%. Foi um banho de água fria que deu oxigênio a Bolsonaro. No resultado final, o petista foi eleito com 1,8% de diferença – a menor da história.  

Assim, com o país dividido, é razoável supor que o PT tenha agarrado a vitória com unhas e dentes e, apressadamente, dado declarações que só prejudicaram o ambiente econômico, em particular na política fiscal – duramente criticada pelos principais economistas do país.  

O pior: Bolsonaro  

Paralelamente, o presidente Bolsonaro dava o seu pior. Como se não tivesse responsabilidade para com a Nação e um mandato a completar, praticamente deixou de governar. Deveria ter se licenciado ou renunciado. Simplesmente, deixou o país à deriva. 

Numa viagem para Orlando com ares de quem foge de algo, passou a dar autógrafos e a visitar supermercados. Semana passada, durante o evento “Yes Brazil USA”, disse que o governo Lula “não vai durar muito”. Não explicou o porquê de sua ‘iluminada’ frase; não registrou os erros do governo Lula; não embasou críticas e tampouco apontou soluções. Resumo: não disse nada que servisse para coisa alguma. 

Furacão – O Brasil parece sugado por um furacão que o chacoalha de um lado para outro. Não se sabe onde vai parar. Particularmente de 2014 para cá, quase 10 anos, o país vive no modo crise e a classe política, em sua maioria, só faz piorar. (*Continua)  

O país está há 10 anos gerando,   

 – e carregando sobre os ombros –  

pesadas crises que não permitem 

um ambiente de plena estabilidade 

Ora de forma avassaladora, ora de 

gravidade não tão intensa, o país  

não encontra paz para resolver os 

problemas que afligem a população 

Seria apenas ridículo, se não fosse 

trágico, que em meio a tantos 

espinhos, o governo gaste tempo  

discutindo assuntos da festa de posse 

Primeiro, colocou sigilo sobre a lista de 

3 500 convidados para a festa de posse  

do presidente Lula. Com a repercussão  

negativa, voltou atrás e liberou os nomes 

A rigor, face à situação assoladora porque  

passa o Brasil, a posse deveria se restringir  

à solenidade formal, – nada mais do   

necessário exigido pela cerimônia 

Num país de ‘terra devastada’, como vem 

alertando o próprio governo desde a  

transição, cabe discrição e austeridade –   

o que não combina com 3.500 convidados