

O novo partido União Brasil está em fase de criação. A fusão do Partido Social Liberal (PSL) com o Democratas (DEM) foi anunciada pelos presidentes das legendas no início de outubro. O novo partido depende da aprovação do Tribunal Superior Eleitoral, o que deve ocorrer em, no máximo, três meses. A fusão deve elevar o União Brasil como o maior partido no Congresso Nacional. Atualmente, o PSL possui 54 parlamentares na Câmara Federal, e o DEM conta com 28 deputados. A fusão já repercute nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais do país. Em Campos, PSL e DEM contam com dois vereadores cada. A nova legenda cria expectativas e especulações.
Os vereadores campistas Nildo Cardoso (PSL), Bruno Vianna (PSL), Rogerio Matoso (DEM) e Marcione da Farmácia (DEM) foram procurados para falarem da nova sigla que, em princípio, os abrigarão no União Brasil. Caso permaneçam na nova legenda, os quatro farão parte da maior bancada municipal, ao lado do PSD, que possui atualmente quatro parlamentares. Apenas Marcione da Farmácia não se manifestou sobre a criação do novo partido, apesar de várias abordagens da reportagem.
Futuro em Campos
Para o vereador Bruno Vianna (PSL), são duas legendas importantes no cenário nacional que estarão se unindo. “Ainda é muito cedo para fazer uma análise ou desenhar possibilidades, sobretudo em Campos. Novos direcionamentos devem chegar para os filiados somente após a aprovação do TSE. Continuamos aguardando a oficialização da fusão para que possamos analisar e entender qual será o melhor caminho a ser seguido”. Vianna não confirma, mas já manifestou interesse em disputar eleição para a Alerj em 2022. Com a última reforma política, ele e qualquer pré-candidato terão dificuldades para serem escolhidos nas nominatas dos partidos.


O vereador Nildo Cardoso (PSL) é discreto quanto à fusão de seu partido com o DEM. Ele não pretende concorrer em 2022, mas acredita que candidatos ao Legislativo encontrarão mais dificuldades para vencerem a eleição.
“Com a reforma política que aconteceu para o pleito do ano que vem, só poderão lançar 47 candidatos por partido e não mais a metade como acontecia antes. No caso estadual, que se pode lançar 70 candidatos pelo número de cadeiras da Alerj mais um, ou seja, 71, isto vai ser uma briga de foice para ganhar uma eleição. Na minha opinião, em uma coligação dessas ninguém se elege com menos de 60 mil votos para deputado estadual; nem se elege com menos de 80 ou 90 mil votos para deputado federal”, especula.
A permanência de Nildo Cardoso no União Brasil, segundo ele, dependerá de apenas dois fatores. “Se o partido não apoiar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, eu não fico. E se algum integrante da família do ex-governador Anthony Garotinho se filiar ao novo partido, eu também não fico. Porém, tenho informações que metade do PSL e metade do DEM deve migrar para outros partidos após a fusão aprovada”, especula.
O vereador Rogerio Matoso (DEM) diz que ainda é cedo para avaliações. “Nós temos que saber as questões das regras em relação à permanência ou não dos colegas do partido. Acredito que a política é feitas de entendimentos, de conversas. Então, ainda é o início de tudo. Temos que depurar para tomarmos nossas decisões e conversarmos com os nossos colegas do DEM e do PSL. Ainda é muito recente para a gente saber dessas mudanças”.




Análise política
Para o consultor de estratégias e analista Orlando Cordeiro, a eleição de Bolsonaro representou uma consolidação de votos de perfil conservador de direita, centro-direita e de extrema-direita. “Durante o mandato, ele acabou radicalizando, deixando muitos de seus apoiadores desde 2018 em uma situação desconfortável. Nesse sentido é que o DEM e o PSL resolveram iniciar um processo de fusão, para ocuparem um espaço de uma direita democrática ou uma centro-direita democrática no Brasil, que consiga manter ou atrair o voto do eleitorado conservador, mas se decolando do eleitorado de extrema-direita”, resume.
O União Brasil será homologado pelo STE até março de 2022. “O partido nasce com muita força de representação parlamentar. Terá o maior volume de recursos financeiros disponíveis para a campanha do ano que vem. Essa fusão em Campos dos Goytacazes traz a possibilidade de na Câmara de Vereadores se igualar à representação do PSD. Isto se não houver defecção ou desistência”, cogita Orlando.
Para o historiador e analista José Fernando Rodrigues, a fusão do PSL e do DEM que cria o União Brasil, não vai mudar o comportamento de votação no Congresso Nacional.
“Praticamente, eles votaram juntos nos últimos anos em todas as grandes reformas e grande projetos. Creio que o DEM e o PSL vão apresentar uma candidatura olhando para a Presidência da República, como terceira via, tentando oferecer ao brasileiro uma candidatura não polarizada entre Bolsonaro e Lula. Não creio que tenham força e expressividade nacional neste momento. No que diz respeito à questão local, se não houver migração de legendas, e acredito que isto pode acontecer, principalmente de políticos para o PSD, isto fortalece os grupos conservadores. No âmbito legislativo favorece os grupos de direita”, conclui.