

O avanço do mar em Atafona é um problema antigo que exige respostas urgentes, fundamentadas na ciência. Durante décadas, a erosão costeira destruiu centenas de imóveis, ruas e parte da história de São João da Barra. Agora, a realização de um estudo técnico representa um passo importante na busca por soluções capazes de reduzir os impactos desse fenômeno.
Com investimento de R$ 5,6 milhões e prazo de 18 meses, o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental deverá apontar alternativas para proteger Atafona e outros trechos do litoral, incluindo a Praia do Açu. O levantamento de 32 quilômetros de costa, com centenas de amostras de sedimentos, demonstra a dimensão do trabalho necessário.
A iniciativa merece reconhecimento, mas é fundamental que seus resultados não fiquem restritos a relatórios técnicos. A população espera medidas efetivas, capazes de preservar áreas ameaçadas e evitar novas perdas. A participação de universidades, pesquisadores e entidades ambientais será indispensável para orientar as decisões.
Outro aspecto importante é compreender que a erosão envolve fatores naturais e intervenções humanas, como alterações na vazão do Rio Paraíba do Sul e obras costeiras. Por isso, qualquer solução precisa considerar os impactos ambientais e a dinâmica do litoral.
Atafona não pode continuar sendo lembrada apenas pelas construções engolidas pelo mar. O desafio é transformar conhecimento científico em planejamento, investimentos e proteção. A união entre governos, especialistas e sociedade será decisiva para que o município consiga enfrentar a erosão com responsabilidade e resultados.