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Craques do Passado: Léo Santos, o lamparão bom de briga

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Esporte
Por Redação
27 de setembro de 2026 - 0h11

Por Leonardo Barros

“Campos, vocês têm um lamparão bom de briga”. No auge da sua estreia oficial no UFC, ao vivo em uma transmissão mundial, Léo Santos homenageou o lugar que escolheu para viver. Carioca da Vila da Penha, o lutador de MMA conheceu Campos ainda muito jovem e, entre viagens e preparação para competições, ficou na cidade, onde casou e teve seu filho. Porém, sentia uma “certa resistência” quando buscava patrocínio e apoio para a carreira no jiu-jítsu. A conquista do The Ultimate Fighter (TUF Brasil 2) na finalização contra William Patolino, em 2013, foi o momento certo para se declarar. 

“Morava em Campos há um tempo e sempre achei interessante algumas palavras, como lamparão e cabrunco. A minha frase foi uma homenagem, quase um desabafo (risos). Buscava patrocínio e sempre ouvia que ‘eu não era nascido na cidade’. Não desanimei e mostrei, em todas as competições, que representava Campos. Poderia ter escolhido o Rio, alguma outra cidade, mas me sentia um representante do município”, conta Léo Santos. 

O lutador chegou a Campos para treinar com Wendell Alexander, que foi seu professor desde a infância em um projeto no Mello Tênis Clube, na Penha, Zona Norte do Rio. Com o treinador, chegou a disputar competições de jiu-jitsu na cidade, garantindo que sempre “venceu todas em casa”. Com o tempo, virou campista de vez, fazendo amizades e tendo total apoio na luta principal do TUF em Fortaleza.  

“Foi uma noite marcante para mim e para a cidade. Logo depois que saí do octógono, recebi vários vídeos da torcida em Campos. O pessoal se reuniu, gritou, vibrou. Parecia final de Copa do Mundo (risos). Campos é uma cidade muito marcada pela política, pela polarização,  mas naquela noite todos assistiram um atleta da cidade ser campeão”. 

Como bom filho da terra, dono do cinturão do TUF, Léo Santos desfilou em carro aberto pelas ruas da cidade, além de diversas homenagens e visitas a escolas e projetos sociais. “Muita emoção, não tinha noção desse apoio”.

Jiu-jitsu como oportunidade 
Léo Santos conheceu o esporte aos oito anos. Inicialmente, confessa que não gostava. Com o tempo, no início da adolescência, viu que era uma oportunidade de evoluir. As aulas gratuitas eram em um projeto social, que ainda garantia a doação do quimono. As competições começaram, as viagens mais longas, o que mostrou um caminho a ser trilhado.

“Na infância, queria ficar na rua, jogando futebol com os amigos. Com 13 anos, comecei a me apaixonar pelo jiu-jitsu. Tinha respaldo, confiança da equipe, do treinador. Não gostava de sair à noite, de bebidas, queria viver do esporte. Participava de competições, viajava, queria conquistar medalhas cada vez mais”. 

Entre suas lutas inesquecíveis, Léo Santos deu uma aula de jiu-jítsu em Georges St-Pierre que, nos anos posteriores, se tornou uma lenda do UFC. No ADCC 2005, na Califórnia (EUA), o campista finalizou o canadense com um armlock voador. A imagem da luta ainda é muito lembrada pelos fãs de luta. Já no MMA, Léo Santos destaca a vitória contra Patolino, na final do TUF, quando era considerado azarão. 

Pós-carreira 
Em 2022, Léo Santos anunciou a sua aposentadoria, deixando um cartel no MMA de 22 lutas – 18 vitórias, 3 derrotas e 1 empate. Fora do octógono, o atleta assumiu a presidência da Nova União, sendo nomeado por Dedé Pederneiras – líder e fundador da equipe. Atualmente, ele mora na Flórida, nos Estados Unidos, onde tem uma filial da Nova União. 

“É um cargo de decisões, de gerar uma equipe que tem mais de 200 filiais no mundo. É manter um legado vivo, uma verdadeira missão. Digo que é uma responsabilidade ainda maior do que lutar. Hoje, estou morando nos Estados Unidos, expandido a marca pelo país, que é uma grande potência da modalidade”.