Por Leonardo Barros


Na despedida do craque Romário do futebol, foi Ciro que brilhou. O ex-zagueiro marcou os dois gols que levaram o America ao título da Série B do Rio em 2009, alcançando o objetivo do Baixinho de recolocar o clube na elite do futebol carioca. Essa é uma das muitas histórias do sanjoanense, que é integrante da tradicional família Sena, e passou por diversos clubes, como Americano, Goytacaz, Vasco, Moreirense, entre outros.
“A vitória contra o Artsul foi inesquecível, marquei dois gols de cabeça. Costumo falar que sou um privilegiado. Joguei contra e ao lado do Romário. Ele assumiu o América em 2009 e montou um timaço, fizemos uma excelente competição. Sou suspeito para falar do Romário, pois sempre o admirei. Jogar ao lado dele foi gratificante demais. Depois dessa vitória e do título, até brinquei com ele: ‘hoje quem garantiu seu bicho foi eu (risos)”, relembra Ciro.


No início dos anos 2000, o ex-zagueiro defendia o Americano nos confrontos contra o Vasco de Romário. Em 2005, após boas atuações, foi contratado pelo Gigante da Colina para jogar ao lado do Baixinho. “Foi a realização de um sonho de infância poder jogar a série A do Brasileiro. A experiência foi muito boa, de muito amadurecimento e aprendizado que levei para o restante da minha carreira”. .


Início em Campos
Nascido em uma família acostumada com o futebol, Ciro começou aos 13 anos no Rio Branco. Depois, participou do projeto da Fundação Municipal da Infância e da Juventude (FMIJ), que tinha as categorias infantil e juvenil na disputa do Campeonato Campista. Com destaque, aos 16, chegou ao Americano. Em Campos, o ex-zagueiro também defendeu o Goytacaz. Porém, não esconde que a sua maior identificação é com o Alvinegro.
“Foi onde tudo mudou na minha vida. O Americano me lançou profissionalmente. Joguei nos dois, mas confesso que minha maior identificação é com o Americano, clube onde fiquei por oito anos. Tive a oportunidade de jogar muitos clássicos na base e não perdi nenhum (risos). No profissional, participei apenas de um clássico, na Série C do Brasileiro, que ficou conhecido como ‘clássico do cai cai’”, relembra.
Mas, antes das conquistas, o início foi dentro de casa. Em São João da Barra, cresceu ouvindo as histórias do tio, Jorge Sena, craque do Palmeiras e do Atlético de Madrid. Da sua geração, também viu Leandro e Rondinelli brilharem nos campos do Brasil. “O futebol está enraizado no sangue da família Sena. Quando eu tinha 13 anos, já tinha claro na minha mente que seria um atleta profissional de futebol. Era uma coisa que vinha da alma, meu sonho de infância”.


Superação no futebol
Com uma carreira sólida, Ciro defendeu outras equipes do futebol brasileiro, com destaque para Remo, Fortaleza, Caxias, Gama e Ituano. Na Europa, jogou pelo Moreirense, de Portugal. “Foi ótimo, uma cultura diferente da nossa, mas muito simples de se adaptar. No começo encontrei um pouco de dificuldade na parte tática, mas procurei me adaptar o mais rápido possível e consegui ter um bom desempenho”.
Porém, apesar da longevidade da carreira, Ciro passou por sustos com problemas cardiológicos. Ainda no Vasco, o teste ergométrico diagnosticou uma alteração, quando precisou fazer um cateterismo. No America, em 2010, após tomar uma dose alta de cafeína receitada pelo fisiologista, desmaiou em uma parte e precisou ficar internado.
“Fiz uma bateria de exames e um segundo cateterismo. Recuperei e voltei depois de 20 dias. Detalhe que antes de acontecer esse episódio, eu já estava certo com o Fluminense. Por causa disso, o clube desistiu da contratação. Mas graças a Deus deu tudo certo e continuei jogando”, conta o ex-zagueiro.


A carreira seguiu até os 42 anos. Após a aposentadoria, continuou morando na capital do Ceará. “Vim jogar no Fortaleza em 2012 e acabei me apaixonando pela cidade. Já são 14 anos que moro aqui, tenho uma filha cearense e resolvi ter residência aqui. Quando encerrei minha carreira, pensava em ser treinador ou executivo de futebol. Fiz a licença B da CBF, sou licenciado para ser treinador de base. Hoje, minha vida tomou outros caminhos, mas não deixei de trabalhar no meio do esporte”.