

A Prefeitura de São Fidélis informou, em comunidado divulgado nas redes sociais nesse domingo (2), que não há, até o momento, confirmação de que dois homens que morreram recentemente no município tenham sido vítimas de febre maculosa. A possibilidade passou a ser discutida após os óbitos, mas a secretaria municipal de Saúde afirma que as causas ainda estão sendo investigadas.
Entre as vítimas está Gabriel Serra, médico-veterinário e proprietário de uma loja. Ele morreu na madrugada de domingo, poucos dias depois de completar 30 anos. O outro homem era idoso.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que as declarações de óbito fornecidas pelo hospital filantrópico em que os pacientes foram internados não apontam, inicialmente, a febre maculosa como causa das mortes. Ainda assim, segundo o município, amostras serão analisadas por meio da Fiocruz, enquanto os casos serão acompanhados pela Vigilância em Saúde.
A Prefeitura também pediu que a população não compartilhe informações sem confirmação oficial, destacando que, caso os exames confirmem alguma causa que represente risco à saúde pública, as medidas necessárias serão adotadas e comunicadas oficialmente.
Família contesta posicionamento
Familiares de Gabriel divulgaram uma manifestação nas redes sociais contestando a forma como o município tratou a suspeita. Segundo a família, o jovem apresentou sintomas compatíveis com febre maculosa e possuía histórico epidemiológico considerado de risco.
Na manifestação, os familiares afirmaram que Gabriel foi atendido em unidade hospitalar e recebeu tratamento seguindo protocolo para suspeita da doença, diante do histórico ambiental relatado. A família também defendeu que a investigação seja realizada com rapidez e que a área onde acredita que ele possa ter sido infectado seja avaliada pela Vigilância em Saúde.
“Como família do Gabriel, de apenas 30 anos, que infelizmente faleceu esta madrugada com todos os sintomas clínicos e o histórico epidemiológico de febre maculosa, esperamos que o ‘rigor técnico’ citado pela Secretaria inclua total agilidade no laudo do LACEN e ações imediatas de vigilância no local onde ele foi infectado”, diz um trecho da manifestação.
Os familiares também criticaram o pedido da Prefeitura para que informações não confirmadas não sejam compartilhadas. Para eles, a manifestação pública não representa a disseminação de boatos, mas uma cobrança por investigação e esclarecimento diante da morte de um homem jovem.
Até o momento, portanto, não há confirmação oficial de que os dois óbitos tenham sido provocados por febre maculosa. A doença é transmitida pela picada do carrapato-estrela infectado por uma bactéria e pode apresentar evolução grave.
Posicionamento da Prefeitura
A Prefeitura de São Fidélis procurou a redação do J3 News e declarou que está monitorando de perto os casos mencionados. “Como precaução, familiares foram atendidos, realizaram exames que também serão encaminhados para análise e, seguindo protocolo da nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde para febre maculosa, será fornecida medicação aos que estiveram no local nos últimos dias”, disse a note.
O município também informou que até que os laudos sejam concluídos o acesso à área, que fica às margens do rio, deverá ficar restrito, segundo notificação formal enviada à família. Por fim, a Prefeitura acrescentou ainda que conta com a ajuda da população para identificar possíveis focos do transmissor da doença. “A população ribeirinha que identificar possíveis focos de carrapato estrela deve informar à Ouvidoria do município por meio do telefone 22996165516”, finalizou o posicionamento.