

O que foi um dia a solução para a economia da região, mais precisamente a construção da maior malha de canais artificiais do país, tendo como ponto de partida o Canal Campos-Macaé, hoje transformou-se em um grande problema pela falta de manutenção.
Em um primeiro momento, o Canal Campos-Macaé, construído com braços de pessoas escravizadas, mirava no escoamento do açúcar aqui produzido para a capital, o Rio de Janeiro, de onde era exportado. Com a era ferroviária, o canal caíu em desuso. Depois disso, outros canais foram construídos.
Essa rede de canais foi projetada e desenvolvida pelo extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), um órgão federal poderoso.
Uma malha tão grande, que gera dúvidas se a responsabilidade é federal, estadual ou municipal. Mesmo em estado precário, o sistema ainda é responsável por alguma irrigação na Baixada Campista, e ajuda a manter o nível da Lagoa Feia e permitindo o escoamento de água das cheias do Paraíba do Sul, protegendo a área urbana de Campos.
Reportagem Especial do J3 News mostra as condições estruturais desse sistema, com pontes comprometidas e assoreamento de parte destes canais, que deixam de cumprir o papel para o qual foi idealizado.
A ausência de limpeza desses canais também vem prejudicando produtores na Região Serrana.
Criada para transformar a geografia da região em favor do desenvolvimento, a rede de canais hoje simboliza um patrimônio público degradado. Sem investimentos e sem uma definição clara sobre sua gestão, o sistema perde a capacidade de cumprir funções essenciais, ampliando os riscos para produtores, para o meio ambiente e para a população.