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Baixada Campista concentra maior volume de chuva no temporal de domingo

Segundo especialista ouvido pela reportagem, temporais podem se repetir até o final do mês de março

Chuvas
Por Leonardo Pedrosa
9 de fevereiro de 2026 - 11h59
Fortes chuvas no Centro de Campos. — Foto: Josh

O temporal que atingiu Campos no último domingo (8) provocou volumes expressivos de chuva em diferentes regiões do município. Dados divulgados pela Defesa Civil Municipal apontam acumulados que ajudam a explicar os pontos de alagamento e o aumento do nível do Rio Paraíba.

Para que a população compreenda melhor, a reportagem conversou com o Técnico em meteorologia e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Campos (IHGCG), Carlos Augusto Souto, para traduzir os números técnicos.

Chuva intensa

O maior volume foi registrado nas regiões da Baixada Campista e áreas próximas às lagoas. O maior índice foi na Lagoa Feia, com 76,8 mm. Na prática, isso representa quase 77 litros de água por metro quadrado, o equivalente a mais de sete baldes grandes de água despejados em um espaço do tamanho de um metro por um metro em poucas horas. Na Lagoa de Cima, o acumulado chegou a 49,8 mm, enquanto Dores de Macabu registrou 43,6 mm.

Outras localidades, como Arraial, Jardim Carioca, Ponte Barcelos Martins, Farol de São Tomé e Morro do Coco, ficaram na faixa entre 20 e 30 mm. Embora menores, esses volumes, quando concentrados em curto período, também contribuem para pontos de alagamento, segundo Carlos.

“Os índices de precipitação de Dores de Macabu e Lagoa de Cima são elevados. O de Lagoa Feia é elevadíssimo, uma verdadeira enxurrada. Nas demais localidades, a chuva foi mais para moderada. De qualquer forma, uma chuva moderada prolongada causa alagamentos intensos. Mas os casos das três localidade que citei acima são bem mais graves e a da Lagoa de Cima impressiona muito”, afirma.

Ainda segundo Carlos, esses volumes de chuvas são considerados dentro da normalidade para esta época do ano, mas o acumulado de chuva nas proximidades da Lagoa Feia chama atenção.

“O que esta acontecendo é que as mudanças climáticas globais estão intensificando os fenômenos extremos climáticos. Chover muito, principalmente na primavera e um pouco menos no verão, é normal. Mas uma chuva de 76,8 mm em 24 horas é impressionante. Muito acima do esperado”, comenta.

O especialista alerta ainda para previsão de novos temporais nas próximas semanas. “Por conta da formação da ZCAS (Zona de Convergencia do Atlântico Sul), em outros momentos ainda nesse verão, tais fenômenos climáticas extremos podem se repetir ate o fim de março”, completa.

Monitoramento hídrico segue em atenção

Além da chuva, a Defesa Civil também acompanha os níveis das lagoas e do Rio Paraíba do Sul. Na manhã desta segunda-feira (9), a Lagoa de Cima estava com cota de 4,95 metros, enquanto a Lagoa Feia marcou 2,37 metros. Já o Rio Paraíba do Sul, em Campos, apresentou leve tendência de queda nos últimos dias. No sábado (7), o nível estava em 8,23 metros, subindo. No domingo (8), baixou para 8,20 metros, e nesta segunda-feira (9), chegou a 8,15 metros, indicando estabilização após o período de chuva. Os dados são referentes às medições realizadas às 8h.

De acordo com a Defesa Civil, o acompanhamento é contínuo e tem como objetivo antecipar riscos, orientar ações preventivas e garantir resposta rápida em caso de ocorrências relacionadas a alagamentos, transbordamentos ou deslizamentos.

Ainda segundo o órgão, a população pode acionar a Defesa Civil em situações de emergência e deve ficar atenta aos comunicados oficiais, especialmente durante os períodos de instabilidade climática.