

A Emergência da Unidade Pré-Hospitalar (UPH) João da Cruz Lubanco, em Santo Eduardo – na área norte de Campos -, deve ficar desativada até maio de 2024, durante a reforma do hospital. A situação, no entanto, tem deixado a população preocupada, devido à distância entre o distrito e outros pontos-socorros. A unidade fica a quase 80km do centro do município e o atendimento 24 horas mais próximo fica em Morro do Coco, a cerca de 30km de Santo Eduardo. Os moradores da região têm questionado a decisão. A Secretaria de Saúde garante que a medida é necessária para as obras de reforma e ampliação, já que seria inviável manter o local com o serviço de emergência durante o período de melhorias.
Segundo moradores, pessoas de localidades circunvizinhas também dependem da unidade para atendimentos rápidos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Silvina Soares Mescolini, que trabalha na UPH, ressalta que pacientes das localidades de Santa Maria de Campos, Espírito Santinho, e até de Ponte do Itabapoana [distrito de Mimoso do Sul, no Espírito Santo] dependem desse primeiro atendimento no Hospital.
“Nós estamos com um problema sério. O governo precisa fazer a reforma do hospital, mas nós queremos que ele não feche a parte de emergência. Temos salvado vidas, temos salvado muitas vidas. Nós temos orientado, nós temos salvado, mas nós temos também que saber que nós precisamos trabalhar. [Caso feche] Nós vamos para outra comunidade, para outra unidade de saúde, nós estamos com vida, nós estamos com saúde. Agora e você, que precisa da emergência, será que vai dar tempo de chegar até aonde você tem que chegar?”, questiona a funcionária.
Moradora de Ponte de Itabapoana, no Espírito Santo, Helena Dutra também usou as redes sociais para questionar a decisão da Prefeitura sobre o fechamento da emergência da unidade. Ela faz o apelo para que os órgãos competentes reconsiderem tal posicionamento e lembra que as outras unidades de emergência ficam muito longe daquela região, o que poderia ser a diferença entre a vida e a morte.
“Não vamos fechar a emergência, pois estamos falando em salvar vidas, estamos falando em tempo. Quanto tempo vale salvar uma vida? Quanto tempo vale para socorrer uma vida? Todos nós sabemos que isso é questão de segundos. Então, sou muito grata a todos do Hospital de Santo Eduardo, à população que sempre está pronta para atender à nossa comunidade e região… a todos aqueles que chegam lá precisando do socorro imediato. […] Fechando esse hospital, como iremos ficar com a emergência? Claro que sabemos que vai ser um hospital maravilhoso, mas, por favor, emergência é coisa grave, é coisa séria”, diz Dutra.
Outro morador questiona o porquê de outros hospitais terem passado por reforma, como o Hospital Geral de Guarus (HGG), sem precisar desativar suas emergências.
“O Hospital Ferreira Machado fechou quando fez reforma? Não fechou. […] Como que a população vai ficar sem uma emergência? Se alguém sofrer um acidente, se alguém sofrer um infarto, como que a gente faz? Nós vamos ter que ir para Morro do Coco. Uma localidade longe, a 30 km daqui […] A reforma, tudo bem! Beleza! Tem que fazer, realmente. Mas não precisa fechar o hospital. O Ferreira Machado não foi fechado. O HGG não foi fechado. Por que vai ter que fechar aqui?”, expôs o morador.
Em resposta, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) disse que durante a execução das obras, serão mantidas duas salas para atendimento ambulatorial com as especialidades já existentes, além de reforço na pediatria e na clínica médica. Ainda segundo a FMS, haverá ambulância 24 horas para qualquer urgência e emergência que chegar ao local, com transferência imediata à unidade 24 horas mais próxima.
“A Fundação afirma ainda que irá reforçar as equipes das unidades ao redor com os profissionais da UPH de Santo Eduardo para causar menor impacto possível para a população e servidores, inclusive foi realizado um chamamento aos responsáveis pela UPH, pessoal administrativo, enfermagem e clínica médica, com antecedência, em que foi organizada a reestruturação do atendimento e também prazo para que a população fosse comunicada do início das obras em setembro”, diz a nota enviada à redação do J3News.
A FMS também informou que a obra está com previsão de início em 1º de setembro, com 8 meses de duração, e que transferir o hospital para um outro local em Santo Eduardo, ‘se tornou inviável já que para formar uma UPH existem vários critérios exigidos, mas que a localidade não corresponde’.
Vídeo: População de Santo Eduardo questiona fechamento de emergência e Prefeitura diz que serviço será interrompido apenas durante reforma de UPH