

Impressiona que o Brasil, que figura entre os países de maior potencial do mundo, com todos os recursos necessários para estar entre os primeiros do ranking e estender a seu povo qualidade de vida sem igual, permaneça ‘empacado’, feito burro chucro, e não deslanche.
Nos destaques desta página, a ênfase dada à festa de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se baseia na comemoração em si, ou no número expressivo de convidados (3.500), e nem mesmo do sigilo de 5 anos da lista.
Não! O que assusta é que depois de mais de um mês, o governo federal ainda cuide de assunto de ‘tamanha importância’ para o país – desta vez para tirar o sigilo em virtude da repercussão negativa.
É evidente que pelo momento porque atravessa o Brasil, a cerimônia deveria ser pautada pelo comedimento. Por outro lado, ‘melhor assim’ do que em 2003, quando Marcos Valério (mais adiante conhecido como ‘o operador do Mensalão e condenado por vários crimes), “ajudou” a pagar a festa.
Desafios imensos – Seja como for, a questão é de prioridade. Desnecessário repetir que o país atravessa séria turbulência em diferentes setores, instabilidade política, crise econômica e não atende minimamente às necessidades do povo. Logo, não deveria estar discutindo festa.
Na prática, o governo Lula começou desde o início de novembro. No dia 04/11, o Globo publicou “Nova administração ocupa rapidamente a cena política no vácuo de um governo que já acabou”.
É compreensível: o PT fez contas de vencer no 1º turno ou colocar 17/19 pontos de diferença. Mas venceu por apenas 5%. Foi um banho de água fria que deu oxigênio a Bolsonaro. No resultado final, o petista foi eleito com 1,8% de diferença – a menor da história.
Assim, com o país dividido, é razoável supor que o PT tenha agarrado a vitória com unhas e dentes e, apressadamente, dado declarações que só prejudicaram o ambiente econômico, em particular na política fiscal – duramente criticada pelos principais economistas do país.
O pior: Bolsonaro
Paralelamente, o presidente Bolsonaro dava o seu pior. Como se não tivesse responsabilidade para com a Nação e um mandato a completar, praticamente deixou de governar. Deveria ter se licenciado ou renunciado. Simplesmente, deixou o país à deriva.
Numa viagem para Orlando com ares de quem foge de algo, passou a dar autógrafos e a visitar supermercados. Semana passada, durante o evento “Yes Brazil USA”, disse que o governo Lula “não vai durar muito”. Não explicou o porquê de sua ‘iluminada’ frase; não registrou os erros do governo Lula; não embasou críticas e tampouco apontou soluções. Resumo: não disse nada que servisse para coisa alguma.
Furacão – O Brasil parece sugado por um furacão que o chacoalha de um lado para outro. Não se sabe onde vai parar. Particularmente de 2014 para cá, quase 10 anos, o país vive no modo crise e a classe política, em sua maioria, só faz piorar. (*Continua)
O país está há 10 anos gerando,
– e carregando sobre os ombros –
pesadas crises que não permitem
um ambiente de plena estabilidade
Ora de forma avassaladora, ora de
gravidade não tão intensa, o país
não encontra paz para resolver os
problemas que afligem a população
Seria apenas ridículo, se não fosse
trágico, que em meio a tantos
espinhos, o governo gaste tempo
discutindo assuntos da festa de posse
Primeiro, colocou sigilo sobre a lista de
3 500 convidados para a festa de posse
do presidente Lula. Com a repercussão
negativa, voltou atrás e liberou os nomes
A rigor, face à situação assoladora porque
passa o Brasil, a posse deveria se restringir
à solenidade formal, – nada mais do
necessário exigido pela cerimônia
Num país de ‘terra devastada’, como vem
alertando o próprio governo desde a
transição, cabe discrição e austeridade –
o que não combina com 3.500 convidados