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Morre aos 95 anos o jornalista e escritor Zuenir Ventura

Imortal da Academia Brasileira de Letras, autor de “1968 - o ano que não terminou” e “Cidade Partida” teve mais de 60 anos de carreira

Obituário
Por Redação
22 de setembro de 2026 - 12h28

Zuenir Ventura (Reprodução Instagram)

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, em casa. Segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), a causa da morte foi uma pneumonia. O jornalista deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro Ventura, também jornalista, e Elisa Ventura, editora.

A ABL informou que o corpo será velado nesta quarta-feira (23), na sede da instituição, e posteriormente sepultado no mausoléu da Academia, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Segundo a família, Zuenir morreu dormindo, sem dor ou sofrimento.

Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir teve uma trajetória profissional marcada por diferentes experiências antes de se consolidar no jornalismo. Trabalhou como pintor de parede, office-boy, arquivista e professor universitário, além de ter praticado basquete. Na carreira acadêmica, teve contato com nomes importantes da literatura brasileira, como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.

Sua entrada no jornalismo ocorreu na década de 1960, a partir de uma oportunidade no arquivo da Tribuna da Imprensa. A carreira se estendeu por mais de seis décadas, período em que Zuenir acompanhou acontecimentos políticos e sociais relevantes do Brasil e se destacou também na produção literária.

Um dos trabalhos mais conhecidos do jornalista foi o livro “1968 – o ano que não terminou”, publicado em 1988. A obra resgatou acontecimentos políticos e culturais daquele período e posteriormente inspirou a minissérie “Anos Rebeldes”, da TV Globo.

Em 1989, Zuenir foi ao Acre como repórter especial para investigar o assassinato do seringueiro e ambientalista Chico Mendes. A cobertura resultou em uma série de reportagens premiada e também em uma experiência pessoal que marcou sua trajetória: o jornalista assumiu a tutela de Genésio, então com 13 anos, testemunha do crime que estava sob ameaça.

Outro trabalho de destaque foi “Cidade Partida”, lançado em 1994. O livro nasceu da experiência do jornalista em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, e abordou temas como violência, desigualdade e divisão social. A obra recebeu o Prêmio Jabuti e tornou-se uma referência na análise dos contrastes da sociedade carioca.

Ao longo da carreira, Zuenir recebeu importantes reconhecimentos do jornalismo brasileiro, entre eles os prêmios Esso e Vladimir Herzog. Em 2008, também foi homenageado pela Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no país.

Na Academia Brasileira de Letras, Zuenir ocupava a Cadeira nº 32. Foi eleito em outubro de 2014, sucedendo o escritor Ariano Suassuna. Além do jornalismo e da literatura, também atuou no audiovisual, participando da codireção do filme “Um Dia Qualquer” e assinando o roteiro do documentário “Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje”, lançado em 2003.

Com informações do G1