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Quando o Estado se afasta, o crime ocupa o espaço

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Opinião
Por Redação
9 de agosto de 2026 - 0h01
Foto: Reprodução

O avanço da criminalidade em distritos do Norte de Campos não pode ser tratado como uma sucessão de casos isolados. O que moradores de localidades como Morro do Coco, Santa Maria, Conselheiro Josino, entre outras, relatam é a consolidação de uma rotina marcada pelo medo, resultado da presença cada vez mais evidente de facções criminosas em áreas onde o Estado parece chegar tarde.

O fechamento antecipado do comércio, o cancelamento de encontros familiares e as ruas vazias após o anoitecer são sinais de que a violência deixou de ser um episódio para se tornar parte do cotidiano. Quando a população muda seus hábitos por receio de circular, o direito de ir e vir já foi comprometido.

As operações policiais realizadas nas últimas semanas são importantes e demonstram a atuação das forças de segurança. No entanto, elas não bastam para enfrentar um problema que se instalou ao longo dos anos. O combate ao crime exige presença permanente do poder público, inteligência, efetivo compatível com a dimensão territorial de Campos e políticas públicas que impeçam o avanço das organizações criminosas.

Segurança pública também passa por iluminação, serviços básicos, ocupação dos espaços públicos e oportunidades para a população. Distritos abandonados tornam-se mais vulneráveis à atuação de grupos que ocupam o vazio deixado pelo Estado.

Campos precisa encarar essa realidade antes que ela se espalhe ainda mais. Recuperar esses territórios não é apenas uma missão das polícias, mas uma responsabilidade de todo o poder público. Onde o Estado se faz ausente, o crime encontra terreno fértil para avançar.