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Apostas online retiram R$ 2,2 bilhões por ano da economia fluminense, aponta pesquisa

Levantamento da Fecomércio revela que quase um em cada quatro moradores do Rio já apostou; maioria tem renda entre um e dois salários mínimos

Geral
Por Redação
28 de julho de 2026 - 7h38

Ilustração/Arquivo

O avanço das apostas online tem provocado um impacto bilionário na economia do Estado do Rio de Janeiro. Um levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises estima que cerca de R$ 2,2 bilhões são gastos anualmente por moradores da Região Metropolitana com plataformas de apostas virtuais, recursos que deixam de circular no comércio e em outros setores da economia fluminense.

A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 25 de junho, com 1.024 pessoas, e mostra que o volume movimentado pelas apostas supera em mais de três vezes a expectativa de vendas do comércio no período de Natal.

Segundo o estudo, 22,7% dos entrevistados — praticamente um em cada quatro moradores — já participaram de apostas online. O gasto médio anual entre os apostadores chega a R$ 1,2 mil por pessoa.

As apostas esportivas lideram a preferência dos participantes, sendo citadas por 60,9% dos entrevistados. Logo atrás aparecem os jogos de cassino online, como o popular “tigrinho”, mencionados por 49,4% dos apostadores. Como era possível indicar mais de uma modalidade, parte dos participantes afirmou utilizar diferentes plataformas.

O perfil predominante dos apostadores é formado por homens (65,6%), enquanto as mulheres representam 34,4% do total. A faixa etária mais presente é a de 25 a 34 anos (36,1%), seguida pelos jovens entre 18 e 24 anos (24,8%).

Em relação à escolaridade, 66,9% possuem ensino médio completo e 12,9% concluíram o ensino superior. Já quanto à renda, a maior concentração está entre pessoas que recebem de um a dois salários mínimos (36%), seguidas por aquelas com renda entre dois e três salários mínimos (19,7%).

A pesquisa também chama atenção para a falta de preocupação com a legalidade das plataformas utilizadas. Entre os entrevistados que já apostaram, 48,5% afirmaram não verificar se o site é autorizado antes de realizar as apostas.

A expectativa de obter retorno financeiro aparece como o principal incentivo para apostar. Quase metade dos participantes (48,7%) afirmou buscar ganhos financeiros, sendo que 28,3% enxergam as apostas como uma forma de ganhar dinheiro rapidamente ou até mesmo como um investimento. Outros 20,4% disseram recorrer às plataformas para complementar a renda.

Outro dado considerado preocupante é que 70% dos apostadores utilizam o próprio salário para fazer as apostas, direcionando parte da renda mensal para essa atividade.

Restrições à publicidade

Desde 13 de julho, a Prefeitura do Rio de Janeiro passou a proibir a publicidade de plataformas de apostas em espaços públicos municipais. A restrição vale para outdoors, mobiliário urbano e demais áreas cuja exploração dependa de autorização, licença, concessão ou permissão do município.

Além disso, as empresas de apostas esportivas são obrigadas a incluir, em suas campanhas publicitárias, alertas determinados pelo Ministério da Fazenda sobre os riscos da prática. As mensagens informam que “apostar pode causar dependência, faz você perder dinheiro e não é investimento”, em modelo semelhante ao adotado nas campanhas de prevenção relacionadas ao consumo de cigarros e bebidas alcoólicas.

Fonte: Agência Brasil