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Procedimento pioneiro e minimamente invasivo é avaliado pelo neurocirurgião Elias Tanus

Hospital Dr. Beda realizou cirurgia para tratar hipertensão intracraniana idiopática em Campos

Ciência e Tecnologia
Por Ocinei Trindade
22 de julho de 2026 - 10h05

Dr. Elias Tanus é neurologista e neurointervencionista (Fotos: Josh)

O Hospital Dr. Beda realizou um procedimento inédito em Campos dos Goytacazes para o tratamento da hipertensão intracraniana idiopática, doença neurológica que pode provocar dores de cabeça intensas, alterações visuais e zumbido no ouvido, além de representar risco de perda da visão quando não diagnosticada e tratada adequadamente. A cirurgia foi conduzida pelo neurocirurgião e neurointervencionista Dr. Elias Tanus, integrante do Instituto do Cérebro, que realizou a primeira angioplastia de seio venoso para essa condição na região.

O procedimento consiste na correção de um estreitamento em uma veia cerebral, por meio da implantação de um stent, restabelecendo o fluxo sanguíneo e reduzindo a pressão intracraniana.

“Hoje realizamos aqui no Beda a primeira angioplastia de seio venoso para tratamento da hipertensão intracraniana idiopática na região. Essa é uma patologia que acomete principalmente mulheres jovens, em idade fértil, e que costuma causar dor de cabeça, alterações visuais e, em muitos casos, zumbido no ouvido”, explica o especialista.

Segundo o médico, a doença está relacionada ao estreitamento de uma das veias do cérebro. O diagnóstico é feito com exames neurológicos e de imagem, que identificam essa alteração. A etapa decisiva para confirmar a necessidade do tratamento ocorre na sala de hemodinâmica.

“Nós acessamos essas veias, medimos a pressão em todo o sistema para identificar se realmente existe um ponto de estreitamento. Confirmado isso, implantamos um stent para abrir a veia e restabelecer o fluxo normal de sangue”, detalha.

Preservação da visão

Embora a hipertensão intracraniana idiopática provoque diferentes sintomas, a maior preocupação médica está na preservação da visão. De acordo com Dr. Elias Tanus, a resposta clínica após o procedimento costuma ser bastante positiva.

“De forma geral, a resposta é muito boa, tanto para a dor de cabeça quanto para as alterações visuais e o zumbido. A questão visual é o que mais nos preocupa. Quando conseguimos diminuir a pressão intracraniana, temos mais tranquilidade do ponto de vista médico e também para a família, porque o risco para a paciente passa a ser muito menor.”

Setor de Hemodinâmica do Hospital Dr. Beda

Após a cirurgia, as pacientes permanecem em acompanhamento médico, realizando exames periódicos e utilizando medicamentos para evitar a formação de trombos no stent implantado. “Essas pacientes precisam fazer uso de medicamentos antiagregantes plaquetários, mas a expectativa é que, em aproximadamente seis meses, essa medicação possa ser suspensa, conforme a evolução clínica.”

Diagnóstico precoce faz diferença

Apesar de ser mais frequente em mulheres jovens, especialmente na idade reprodutiva, a doença também pode acometer homens e pacientes de outras faixas etárias, embora em menor proporção. “Na nossa série de casos, uma das maiores do país, menos de 10% dos pacientes são homens. Mulheres mais velhas também podem desenvolver a doença, mas ela é muito mais comum em mulheres jovens.”

Outro fator frequentemente observado entre os pacientes é o sobrepeso. “Nas consultas, uma das primeiras orientações é a perda de peso, porque isso contribui significativamente para reduzir a pressão intracraniana e pode melhorar o quadro clínico.”

Tecnologia amplia acesso ao tratamento

O neurointervencionista destaca que a tecnologia utilizada representa um importante avanço no tratamento da doença. O grupo médico do qual faz parte foi pioneiro no Brasil na utilização desse modelo de stent para esse tipo de procedimento. “Conseguimos mudar o perfil de indicação da doença no tratamento endovascular, reduzindo os riscos do procedimento e facilitando a correta implantação do stent.”

Para ele, a realização da cirurgia em Campos coloca a cidade entre os centros capazes de oferecer um tratamento de alta complexidade sem que os pacientes precisem se deslocar para grandes capitais. “Trazer essa tecnologia para uma cidade importante como Campos significa colocar o município dentro do que existe de mais moderno no tratamento dessa patologia.”

Dr. Elias analisa imagens do procedimento inédito para tratar hipertensão intracraniana idiopática, doença neurológica que pode provocar dores de cabeça intensas

O especialista também chama a atenção para a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a doença, ainda pouco conhecida pela população e, muitas vezes, de difícil diagnóstico. “Precisamos que radiologistas e oftalmologistas nos ajudem nesse diagnóstico, para que os pacientes sejam encaminhados corretamente e recebam tratamento antes que ocorram sequelas, principalmente na visão.”

Doutor Elias Tanus comentou sobre o Hospital Dr. Beda e confiança na realização do procedimento. Ele destacou o compromisso da equipe com a região.

“Quero agradecer à instituição pela confiança, aos colegas da cidade que apoiam o nosso trabalho, ao Dr. Carlos Eduardo e ao Dr. Jamil, responsáveis pela Hemodinâmica. Estamos sempre buscando contribuir com Campos, uma cidade pela qual temos muito carinho e que consideramos extremamente importante.”, conclui.