

Pacientes neurológicos em Campos podem celebrar um avanço tecnológico no tratamento. O DBS, sigla em inglês que significa estimulação cerebral profunda, é um procedimento cirúrgico para tratamento de doenças do sistema nervoso central. Entre elas, está a Doença de Parkinson. Membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, o neurocirurgião Fabricio Zacarias é especialista no tema na cidade e explica como funciona:
“O procedimento consiste na implantação de eletrodos dentro do cérebro, para estimular regiões específicas, com objetivo de melhorar os sintomas da doença neurológica. É como um marcapasso implantado no cérebro, programável de forma personalizada, para modificar e controlar estímulos elétricos da região atingida pela doença”, pontua. Ele acrescenta ainda, detalhando a estrutura do equipamento:
“O aparelho é composto por 3 partes: os eletrodos (fios bem finos que são implantados no cérebro), um dispositivo gerador dos impulsos elétricos e um cabo extensor que os conecta”, comenta. O uso do DBS é indicado especialmente para a Doença de Parkinson, mas também há indicações para outros distúrbios do movimento. O médico destaca que a tecnologia também pode beneficiar pacientes com epilepsia, mas que existem restrições:
“Aqui no Brasil, o DBS está liberado para o tratamento do Parkinson, do tremor essencial e das distonias. Para a epilepsia, a indicação ainda é muito restrita e é necessário que o paciente seja submetido a um outro procedimento antes, além de ainda estar tendo sintomas, mesmo com uso dos remédios. Há necessidade de alguns testes específicos também”, diz.
O neurocirurgião relata ainda que antes do avanço tecnológico e da aprovação do DBS, a cirurgia para distúrbios do movimento se resumia a causar lesões em certas áreas do cérebro envolvidas na criação dos sintomas.Procedimento que, segundo ele, ainda é realizado em casos mais selecionados, como pacientes com tremor de um lado só do corpo, ou que tenham contra-indicações ao implante de DBS. Destacando a relevância de poder contar com a tecnologia do DBS, Fabricio Zacarias aponta as vantagens do tratamento:
“Com a estimulação cerebral profunda, podemos controlar a intensidade e frequência dos impulsos elétricos na área onde o eletrodo está implantado, otimizando a terapia de acordo com os sintomas do paciente. E ainda, se houver algum problema na estimulação, ou no aparelho, ele pode ser desligado, voltando tudo como estava antes. Já a lesão causada pela cirurgia, é definitiva, sem retorno e sem possibilidade de ajuste”, enfatiza. Ele alerta ainda que o procedimento não cura, mas tem resultado significativo em pacientes neurológicos:
“É importante ressaltar, que nenhum dos procedimentos cura qualquer dessas doenças, mas reduz significativamente os seus sintomas, ajuda a diminuir doses e quantidade das medicações e melhora a qualidade de vida dos pacientes”, afirma. Por fim, o médico chama atenção para a importância desses pacientes receberem um acompanhamento integral:
“O acompanhamento multidisciplinar desses pacientes é inteiramente importante e deve ser permanente mesmo após a cirurgia. A equipe deve ser composta por neurologista, neurocirurgião, psicólogo, psiquiatra e fisioterapeuta”, conclui.
Dr. Fabrício Zacarias é neurocirurgião com atuação em Cirurgia do Crânio e Coluna Vertebral, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e pós-graduado em Clínica da Dor. Ele atende na Rua Saldanha Marinho, 450 Ed. Connect – Sala 119, tel: (22) 99988-9299 e (22) 2723-1104.