

O pleito para presidente da República de 4 meses e aproximadamente três semanas – visto que dificilmente não irá para 2º turno, em 25 de outubro – dá sinais de ser ainda mais raivoso e com kit de acusações superior ao de 2022 – lastimavelmente marcado por baixarias de toda ordem. Desta feita, vislumbra-se coisa pior.
Trata-se de quadro desfavorável ao Brasil, em que os principais pré-candidatos que polarizam a disputa, o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, são, também, os de maior rejeição. Ambos oscilam e se revezam na casa dos 50% de acordo com as pesquisas mais recentes.
Os sinais são de que ambas as campanhas irão tomar o rumo das vielas e becos escuros, ao invés de áreas iluminadas e movimentadas. Logo, numa inversão do que deveria ser o norte das candidaturas, Lula e Flávio vão partir para convencer o eleitor do quanto o adversário é pior. Em suma, ao invés recorrer a seus próprios méritos, irão apontar os deméritos do outro.
Flávio luta para convencer apoiadores
A performance de Flavio Bolsonaro como o nome da oposição teoricamente capaz de vencer Lula estava indo bem – pesquisas de opinião chegaram a apontar empate técnico com ligeira vantagem para o senador –, até que veio a lambança: a revelação de mensagem, e depois visita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para cobrar dinheiro.
De imediato, caiu feito uma bomba com recuo de vários pontos nas pesquisas. Falou-se até mesmo em substituição. Mas, passados alguns dias, pesquisa do Datafolha de 22 de maio mostrou que o monstro não era tão apavorante assim: Flávio ficara apenas 4 pontos abaixo de Lula na simulação de 2º turno.
Igualmente, levantamento do PoderData/Aya de 29 de maio apontou a mesma diferença de 4 pontos num eventual 2º turno: 46% contra 42%, configurando empate técnico no limite da margem de erro de 2 pontos. No início de junho, eventuais pesquisas não deverão mostrar cenário muito diferente para 2º turno.
Maior obstáculo – A despeito da sobrevida, Flávio ainda precisa manter intacta sua base de apoio: a direita. Logo, vai lutar para que todos permaneçam atracados no porto com ele, com trabalho de convencimento em particular junto à Faria Lima, onde está a maior concentração de financistas e empresários do País e que representa, em particular, o grupo do Agronegócio. A segunda fatia mais numerosa é a dos evangélicos. Mas esta não vai optar por Lula nem que a vaca tussa.
Ganhar tempo é o que Flávio precisa para, repetindo o que já fora mencionado neste espaço, abrir o baú do ex-presidente Bolsonaro, retirar a popularidade e carisma do pai, mas deixar lá dentro todo tipo de toxicidade. Espécie de evolução… de inclinação à direita mais moderada. Ou seja: bolsonarismo sem Bolsonaro.
Campanha de Lula requer novo formato
O PT não se reinventou, está cansado, repetitivo, e usa as mesmas ferramentas que já não convencem. Exemplo contundente está no reposicionamento dos jovens que, antes próximos, agora se distanciaram. Se no passado a juventude foi a base mais sólida do lulismo, hoje os dados mostram o oposto, mercê de uma liderança que não acompanhou as mudanças do século 21 e retorna com o velho discurso populista de outrora.
O “nós contra eles” já não ‘cola’ como antes. E culpar as elites pelos problemas que não se resolvem nunca, também não convence. Da mesma forma, disseminar que o PT luta a favor dos pobres, enquanto o bolsonarismo se coloca a favor dos ricos, é usar outras palavras para dizer a mesma coisa. Espécie de mais do mesmo.
O presidente Lula precisa, ainda, convencer como ao final deste terceiro mandato, nos últimos 24 anos o PT terá governado o Brasil em 18 (Dilma cumpriu apenas a metade do 2º mandato) e não é o responsável pelo conjunto de infortúnios.
Tudo vai para a conta dos 2 anos de Temer e 4 anos de Bolsonaro? Será?

