

A campanha Maio Roxo chama atenção para as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), principalmente para duas enfermidades que têm apresentado crescimento no Brasil e no mundo. A médica gastroenterologista Renata Vaillant, integrante da equipe do Beda Prime, destaca a importância da conscientização para identificar sintomas precocemente e garantir qualidade de vida aos pacientes.
Segundo a especialista, o principal objetivo é ampliar o conhecimento da população sobre doenças que, muitas vezes, demoram a ser diagnosticadas. “O Maio Roxo é uma campanha de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais, principalmente a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. A ideia é justamente chamar atenção para diagnóstico precoce e qualidade de vida”, afirma.
A médica explica que o aumento dos casos tem sido observado em diferentes países e também no Brasil. “Existe um aumento global e também no Brasil, principalmente em adultos jovens. Isso parece estar relacionado a fatores ambientais, alimentação ultraprocessada e mudanças na microbiota intestinal”, ressalta. Entre os principais sinais de alerta estão diarreia persistente, presença de sangue nas fezes, dores abdominais, urgência para evacuar, perda de peso e anemia. “Quando isso se prolonga, não deve ser considerado normal”, alerta Renata.
Avanços em evento global
Renata Vaillant comenta os avanços apresentados no DDW 2026, considerado o maior congresso mundial de gastroenterologia. De acordo com a especialista, o evento trouxe novidades importantes para o tratamento das doenças inflamatórias intestinais. “O DDW destacou avanços importantes em terapias biológicas, combinações de medicamentos e medicina de precisão para casos mais difíceis”, explica.
A tecnologia vem transformando o acompanhamento dos pacientes. Segundo Renata, a inteligência artificial ganhou destaque no congresso internacional como ferramenta auxiliar no diagnóstico e monitoramento das doenças. “O DDW destacou o uso crescente da inteligência artificial para ajudar na detecção precoce de lesões, monitoramento e previsão de resposta ao tratamento”, pontua.
A chamada medicina de precisão, segundo a gastroenterologista, representa uma mudança importante na abordagem clínica. “Significa individualizar o tratamento. Hoje conseguimos escolher terapias com base em perfil do paciente, marcadores inflamatórios e resposta esperada, e não mais uma abordagem única para todos”, destaca.
A alimentação também exerce influência direta na evolução das doenças. “Estudos reforçam que ultraprocessados e aditivos alimentares podem piorar a inflamação intestinal e impactar a microbiota”, observa. Outro fator importante é o estresse emocional. Embora não seja responsável pelo surgimento da doença, ele pode agravar significativamente os sintomas. “O estresse não causa a doença, mas pode piorar muito os sintomas e até desencadear crises em quem já tem predisposição”, explica.
Apesar dos desafios, a especialista reforça que a maioria dos pacientes consegue manter uma vida normal quando recebe acompanhamento adequado. “Na maioria dos casos, sim. Com tratamento adequado, muitos pacientes conseguem levar uma vida normal, com trabalho, estudo e rotina habitual. Minha principal mensagem nesta campanha é que não devemos normalizar sintomas intestinais persistentes. Diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico”, conclui.