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Golpe do falso advogado já fez 1500 vítimas no Estado

Presidente da OAB Campos alerta para forma como os golpistas vêm sofisticando suas atuações

Campos
Por Yan Tavares
30 de março de 2026 - 0h03
Cuidado|Entidade alerta para golpe que tem feito muitas vítimas (Foto: Reprodução/OAB)

Você já ouviu falar no golpe do falso advogado? Sabe do que se trata e como acontece? Se não, é bom ficar atento! Em meados de julho de 2025, a Corregedoria da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) registrava 630 casos. Em fevereiro deste ano, a estatística alavancou para 1.500 fraudes denunciadas.

Em uma cartilha disponibilizada ao J3News para a reportagem, a OAB-RJ explica o tema de forma didática e detalhada. Também disponível no site da entidade, o documento explica que a prática criminosa acontece da seguinte forma: os criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios jurídicos para convencer as vítimas a fornecer dados pessoais e realizar pagamentos. Utilizam nomes, fotos, registros da OAB e até dados de processos judiciais verdadeiros, para ameaçar e extorquir pessoas em todo o Brasil. Os golpistas exploram seus “clientes” com falsas promessas para agilizar processos judiciais. Porém, após o pagamento, as vítimas ficam sem o dinheiro e sem a solução de seus casos.

Mariana Lontra (Foto: Josh)

“Muitas vezes até nós advogados ficamos em dúvida sobre a veracidade. Porque em alguns casos, os golpistas criam documentos. Aí é mais fácil de identificar. Já em outros casos, eles pegam um documento já pronto e mudam apenas um trecho do texto original. E não para só por aí. A atuação está cada vez mais sofisticada. Coisa profissional”, comenta a presidente da OAB Campos, Mariana Lontra Costa.

Como forma de esclarecimento e alerta à população fluminense, a OAB-RJ destrincha ainda as variadas formas em que o golpe vem sendo aplicado. A cartilha destaca que os golpistas utilizam diversos mecanismos para induzir as vítimas a realizar pagamentos via Pix, boletos ou transferências bancárias, a pretexto de resolver problemas ou agilizar procedimentos judiciais. “Chegam a forjar documentos e abrir contas falsas para convencer as vítimas a fazer pagamentos”, alerta a OAB-RJ.

O golpe na prática
Com dados públicos de processos judiciais, os criminosos entram em contato por ligação telefônica ou por aplicativos de mensagens e aplicam diferentes discursos. Entre os exemplos estão: dizer que a vítima tem valores a receber decorrentes de uma decisão jurídica, uma herança deixada por um desconhecido, precisam de ajuda para a resolução de um processo ou até para enfrentar uma ameaça de processo. Utilizam sentenças alteradas, com nomes e dados de processos reais, para convencer as pessoas. Acessando bancos de dados públicos, plataformas processuais e redes ilícitas, eles reúnem o nome completo da vítima, CPF, tipo de ação, número de processos, valores e outras informações. Com esses dados, induzem a pessoa a realizar o pagamento. Também são utilizados e-mail, SMS e links fraudulentos nesses contatos para reforçar a veracidade das narrativas.

Quando o golpista consegue convencer a pessoa, pede a realização de transferências via PIX ou por boletos, que chegam até a estampar logotipos de tribunais para simular se tratarem de documentos autênticos. Os criminosos podem também convencer as vítimas a trocarem suas chaves de acesso PIX, para que a transferência seja feita diretamente aos golpistas, alegando que o pagamento prévio de determinado valor é necessário para liberar o suposto “crédito” existente no processo. 

“A gente vai descobrindo as novidades e o aperfeiçoamento dos golpes a partir do momento que os advogados relatam. O que tem acontecido e deixado muitas pessoas com dúvidas é o seguinte modus operandi: o criminoso envia um link como se fosse para participar de uma audiência. Já tivemos informações que tem casos de uso da Inteligência Artificial para forjar a imagem do advogado, ou voz dele, por ligação. Nessa audiência, é como se o juiz falasse na hora para a pessoa fazer um depósito para depois receber algum valor. É simulada uma situação, como se fosse o juiz falando na presença de um advogado. O que, é importante destacar, que não acontece. É sempre válido estar atento aos canais oficiais e, na dúvida, fazer contato com o fórum para confirmar se existe realmente algum link naquele processo”, comenta a advogada.

Em nota, a Polícia Civil declarou que atua com ações de inteligência para rastrear as práticas ilícitas, identificar os criminosos e responsabilizá-los criminalmente. “A instituição orienta que todos os casos sejam registrados para que possam ser apurados de forma individualizada e para que os autores sejam identificados”, alerta.