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Cenário eleitoral de Campos ainda busca definições para 2026

Historiador e analista político avalia possíveis candidaturas à Câmara Federal, movimentações partidárias e perspectivas para o Rio de Janeiro

Política
Por Ocinei Trindade
13 de março de 2026 - 11h45

Fábio Siqueira é professor de História do IFF e analista político (Reprodução)

O professor, historiador e analista político Fábio Siqueira avalia o momento que envolve políticos de Campos dos Goytacazes cogitados para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. O prefeito Wladimir Garotinho é um dos nomes especulados para as eleições de 2026, além de Caio Vianna, Madeleine Dykeman, Rodrigo Bacellar e Anthony Garotinho. Este é o tema da reportagem especial da semana “Tabuleiro político campista ainda em busca de definição” (leia aqui).

Siqueira analisa os possíveis cenários eleitorais no município, as movimentações partidárias, o espaço da esquerda local e as perspectivas para a disputa estadual, apontando ainda o favoritismo do prefeito do Rio, Eduardo Paes, na corrida pelo governo do estado e a tendência de pouca renovação na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O prefeito Wladimir Garotinho aparece entre os nomes cotados para disputar vaga na Câmara Federal. Como o senhor avalia esse cenário?

O prefeito Wladimir Garotinho, com o apoio do vice que deverá assumir o cargo, do secretariado, da bancada de vereadores governistas e da própria estrutura do governo, é o principal favorito para a Câmara Federal entre os nomes que você relaciona. Agora, é preciso observar se ele permanecerá no PP ou se migrará para outro partido.

Caso vá para o PL, conforme convite do senador Flávio Bolsonaro, disputará espaço com a delegada Madeleine, embora ambos possam estar no mesmo palanque eleitoral. Se aceitar assumir publicamente a coordenação de uma candidatura vinculada à extrema direita, poderá constranger colaboradores diretos que optaram por Lula em 2022.

Há ainda outros nomes ligados a Wladimir na disputa por vagas na Alerj, e será necessário observar o peso político e os apoios destinados a essas pré-candidaturas. Outra questão interessante, já abordada pelo próprio patriarca da família Garotinho na mídia, é a possível divisão de eleitores entre pai e filho. Também se discute se Caio Vianna, agora aliado de Wladimir, será candidato à Alerj.

Independentemente das acusações apresentadas pela Polícia Federal contra o deputado Rodrigo Bacellar, ele terá direito à ampla defesa e, até que se prove o contrário, continuará sendo um forte candidato ou cabo eleitoral para qualquer cargo eletivo em Campos.

Esses nomes estão ligados, em geral, a ideologias de direita ou de centro. O senhor considera que Campos poderá ter um nome forte da esquerda nas próximas eleições?

No campo da esquerda em Campos, temos o vereador Maicon Cruz, lançado à Alerj pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá. Contudo, ainda não há confirmação sobre qual partido da Federação Brasil da Esperança daria legenda a ele.

Também existe especulação sobre a candidatura à reeleição de Carla Machado e se ela permanecerá no PT ou buscará outra legenda durante a janela partidária. Além disso, parlamentares de esquerda que tiveram boa votação em Campos em 2022 devem voltar a buscar votos na cidade, como Lindbergh Farias, Marina do MST e Elika Takimoto.

No cenário estadual, quais são suas expectativas para a disputa pelo Governo do Rio e para a Alerj: continuidade ou renovação?

Tenho expectativas distintas para as eleições majoritária e proporcional. Continuo considerando Eduardo Paes como grande favorito para vencer a disputa pelo governo estadual, apesar da força do bolsonarismo no estado. Ao buscar Jane Reis para vice, ele amplia espaço no eleitorado da Baixada e entre setores do bolsonarismo, tornando-se um candidato de centro mais palatável tanto para eleitores de esquerda quanto de direita. Já em relação à Alerj, não acredito em uma renovação significativa.

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