

Mariana Lontra Costa – Presidente da OAB/Campos – Março é mais do que um mês simbólico: é um tempo de memória, luta e consciência.
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas em 1975, mas nasceu das ruas, da voz de mulheres que exigiam dignidade e igualdade. Não se trata de flores ou homenagens protocolares. Trata-se de direitos. Trata-se de estruturas que ainda precisam ser transformadas. Não é pauta sazonal.
Nos últimos dias, a sociedade se deparou com manifestações explícitas de misoginia. A fala infeliz proferida pelo jogador do Red Bull Bragantino não é um fato isolado. Ela reflete uma cultura que ainda naturaliza o desrespeito à mulher. A violência começa na palavra. Começa na piada que inferioriza. No comentário que diminui. No silêncio que legitima.
Quando essas condutas são relativizadas, criam-se permissões perigosas. E, por vezes, o desfecho é devastador. O episódio ocorrido em Itumbiara, em que um pai matou os próprios filhos para agredir e punir a ex-esposa, escancara a face extrema da violência baseada no controle e na posse. Não é sobre amor ferido. É sobre poder e punição. Crueldade sem medida.
O feminicídio e as violências que o antecedem não surgem do nada. São frutos de uma sociedade que ainda resiste à igualdade real. Março nos convoca à responsabilidade coletiva.
Que a reflexão ultrapasse a data e se transforme em compromisso permanente com respeito, proteção e justiça.
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