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Assassinato de subsíndico completa um ano este mês

Tragédia em Campos expõe desafios e riscos na convivência em condomínios

Geral
Por Caio Mothé
22 de fevereiro de 2026 - 0h04
2025|José Renato Costa foi preso em flagrante após o crime (Foto: Reprodução)

A morte do subsíndico Vinícius da Silva Azevedo, assassinado na madrugada de 26 de fevereiro de 2025 em um condomínio na Avenida Arthur Bernardes, em Campos dos Goytacazes, evidenciou de forma dramática os conflitos e dificuldades que podem surgir na convivência condominial. Um ano após o crime, a família ainda aguarda por justiça, já que o processo segue sem data definida para julgamento, prolongando o sentimento de impunidade entre parentes, amigos e moradores.

Vinícius da Silva Azevedo (Foto: Arquivo Pessoal)

O caso chocou a comunidade e trouxe à tona uma realidade muitas vezes ignorada: os condomínios, apesar de serem espaços de moradia coletiva e convivência, também podem se tornar palco de desentendimentos, ameaças e, em situações extremas, violência. O episódio acendeu um alerta sobre a necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção, diálogo e segurança nesses ambientes.

Diante desse cenário, o 8º Batalhão de Polícia Militar criou, à época, um canal direto via WhatsApp exclusivo para síndicos, a pedido da CEO da revista “Meu Condomínio”, Suzy Monteiro. A jornalista, responsável pela publicação voltada ao setor condominial, explica que a iniciativa tem como objetivo facilitar a comunicação com as autoridades e permitir que situações de risco sejam relatadas com mais rapidez, contribuindo para evitar que conflitos evoluam para episódios mais graves. Somente nos últimos três meses, foram registradas 15 ocorrências por meio desse canal.

“O maior problema da convivência em condomínio, além desse momento que a gente está vivendo, de pessoas tão irritadiças, é a questão do entendimento de quem vai morar no que é seu, ou que alugou, mas enfim, que ele tem o direito da propriedade, mas o seu direito não pode sobrepor ao direito da coletividade”, destacou Suzy.

Denis Muruci (Foto: Reprodução)

Além do apoio das forças de segurança, especialistas destacam o papel da mediação como ferramenta fundamental. O vice-presidente da Comissão de Direito Condominial da 12ª Subseção da OAB-RJ, Denis Muruci, ressalta que o diálogo é essencial para prevenir conflitos. Segundo ele, o trabalho jurídico busca intermediar situações entre moradores e administração, priorizando a conversa e a orientação antes de medidas punitivas, com o objetivo de evitar o agravamento de desentendimentos.

O caso
O crime foi motivado após uma discussão sobre um vazamento de água no apartamento. Vinícius da Silva Azevedo foi atingido por seis disparos e agredido com coronhadas e morreu após ser socorrido para o Hospital Ferreira Machado. O autor, José Renato Costa, 35 anos, tentou disparar contra o síndico e a esposa da vítima antes de ser contido por moradores.

Segundo a Polícia Civil,  José Renato já possuía um extenso histórico de agressividade e antecedentes criminais, incluindo violência doméstica e importunação sexual contra um vizinha no condomínio. Autuado por homicídio qualificado por motivo fútil, José Renato foi transferido para a Casa de Custódia após o flagrante.

Audiências de instrução
A primeira Audiência de Instrução e Julgamento do caso aconteceu no Fórum de Campos quase dois meses depois do crime, no dia 15 de abril, onde foram ouvidas testemunhas cruciais do caso: o síndico, a esposa da vítima e o porteiro que estava de plantão na noite do crime. No final da audiência, o promotor de Justiça, Bruno Sabione, afirmou que, para a Promotoria, não restavam dúvidas da necessidade de manutenção da prisão do acusado, citando o caso como um crime cruel, grave e hediondo.

A segunda e última audiência de Instrução e Julgamento aconteceu em julho passado. O réu, José Renato Costa de Queiroz, participou por videoconferência, mas optou por permanecer em silêncio durante toda a sessão.

Na ocasião, dois novos depoimentos foram colhidos: um policial militar que atendeu à ocorrência e não pôde participar da primeira audiência por estar de férias, e um bombeiro que mora no mesmo andar onde começou a discussão no dia do crime. A nova audiência foi solicitada pela defesa de José Renato para garantir a escuta do PM. A próxima etapa do processo é a decisão sobre uma possível realização de um júri popular, que ainda não tem previsão para acontecer.