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Governança Climática e Cooperação Intermunicipal: o Norte e Noroeste Fluminense diante da COP30 – Vinícius Viana

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Artigo
Por Redação
23 de novembro de 2025 - 0h01
Foto: Tânia Rêgo/Agencia Brasil

Vinícius Viana – Secretário Executivo do Cidennf – A realização da COP30 recoloca o Brasil no centro das discussões globais sobre clima e desenvolvimento sustentável, ressaltando o papel estratégico dos municípios como protagonistas da agenda ambiental. É nas cidades — não apenas nos grandes centros decisórios — que os impactos das mudanças climáticas são sentidos de forma direta e onde as políticas públicas se materializam no cotidiano da população.

Entretanto, grande parte dos governos locais ainda enfrenta limitações técnicas, financeiras e institucionais que dificultam a consolidação de ações ambientais consistentes. Nesse cenário, a cooperação intermunicipal se apresenta não apenas como alternativa, mas como condição indispensável para uma governança climática eficaz, sobretudo em regiões marcadas por vulnerabilidades socioambientais, como o Norte e Noroeste Fluminense.

O Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (CIDENNF) tem exercido papel decisivo ao articular, junto aos governos estadual e federal, a adesão integral dos municípios consorciados ao Programa AdaptaCidades. Essa conquista representa um avanço expressivo para o território, ampliando capacidades e abrindo novas oportunidades de financiamento e inovação. Um exemplo concreto é o edital da Fundação Grupo Boticário, voltado exclusivamente a entes públicos vinculados ao AdaptaCidades. No Estado do Rio de Janeiro, apenas os municípios do CIDENNF puderam participar — e o protagonismo regional se confirmou com a seleção de São João da Barra entre os 29 melhores projetos do país.

Representando o consórcio, São João da Barra apresentou sua iniciativa em um evento preparatório à COP30 diante de investidores internacionais, integrando uma rede global formada por quase 100 prefeitos de cidades comprometidas com soluções concretas para a crise climática. Essa visibilidade projeta o território e reforça o consórcio como instrumento de integração técnica, institucional e estratégica.

Outro avanço relevante decorrente da adesão ao programa é a elaboração do Plano Regional de Adaptação Climática, envolvendo os 22 municípios consorciados. Esse esforço coletivo consolida um modelo de governança cooperativa e fortalece a capacidade de resposta do território. Além disso, o CIDENNF integra a Rede Ambiente Resiliente, ao lado de parceiros como a ONU-Habitat, ampliando o acesso a boas práticas e inserindo a região em diálogos globais sobre adaptação e resiliência.

Em um país de dimensões continentais, onde os riscos ambientais variam intensamente entre territórios, a ação isolada torna-se insuficiente. A cooperação intermunicipal emerge como estratégia capaz de superar desigualdades e ampliar a eficiência municipal em cinco dimensões-chave: técnica, financeira, institucional, política e territorial. Mais do que potencializar políticas ambientais, esse modelo prepara os municípios para enfrentar os desafios estruturais da crise climática.

A COP30 representa, portanto, uma oportunidade histórica para o Brasil demonstrar que o fortalecimento da gestão ambiental local — articulada, cooperativa e integrada — é o caminho mais sólido para construir cidades mais resilientes e sustentáveis.

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