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Usina do Queimado, do açúcar aos grandes eventos

Espaço, que já foi unidade fabril, hoje se consolida como a principal área central para grandiosas festas

Geral
Por Ocinei Trindade
12 de novembro de 2023 - 3h00
Locação|Fundado em 1880, prédio da antiga usina é espaço de entretenimento e cultura (Foto: Arquivo Pessoal)

A celebração dos 11 anos do J3News atravessou a madrugada deste domingo (12). A festa com 1.500 convidados celebrou parcerias de sucesso do jornal com seus anunciantes e seu público leitor e telespectador nos formatos impresso, digital e televisivo. O evento produzido para oferecer alegria e diversão tem sido uma grande oportunidade de reunir pessoas de todos os estilos e origens em Campos dos Goytacazes. Pela segunda vez, o cenário escolhido da festa é a icônica Usina do Queimado que, desde o fim do século XIX, desperta fascínio e admiração. Após o declínio da indústria do açúcar no município, o espaço se transformou em palco de grandes acontecimentos. A construção é um marco histórico e virou usina do entretenimento.

A Usina do Queimado foi fundada pelo comendador Julião Ribeiro de Castro em 7 de agosto de 1880. Ela foi adquirida por Vicente de Miranda Nogueira, em 1906, bisavô do empresário, jornalista e fotógrafo Eduardo “Dudu” Linhares. A propriedade está na família Linhares há sete gerações. “Sou da quarta geração. Até hoje, apesar de várias pesquisas feitas por vários historiadores, não se sabe a origem do nome Queimado. Até onde eu sei, esse nome não se refere especificamente à usina, mas a uma área maior, onde estaria inserida, de fato, a Usina do Queimado, mas não há certeza”, conta Dudu.

Em setembro de 1994, as atividades industriais para fabricação de açúcar e álcool da Usina do Queimado foram encerradas. De acordo com Dudu Linhares, a principal atividade da empresa continua sendo a agropecuária. “Nós temos produção de gado leiteiro e gado de corte e a locação de áreas para empresas com contratos de longo prazo”, conta. Entretanto, para o público em geral, o local se tornou referência a partir dos anos 2000 como indústria de entretenimento e eventos inesquecíveis. O mais recente acontecimento na memória é a festa dos 11 anos do J3News.

Comemoração | Usina do Queimado foi cenário da festa dos 11 anos do J3News

“A partir do momento que nós paramos as atividades industriais, houve uma desmobilização de vários setores, com venda de máquinas e parte de toda fabricação. Alguns anos depois, fizemos uma parceria com os donos do restaurante Picadilly, no sentido de arrendar para eles a parte da fábrica para a produção de eventos. Isso durou alguns anos e foi muito boa a parceria. Ficou muito bonito, fizemos reformas estruturais necessárias para a produção de eventos, não só como parte de cozinha, mas também banheiros e acessos. Atualmente, a gente faz o aluguel do espaço, principalmente para casamentos, eventos corporativos, comemorações de empresas de final de ano, festas de aniversário, e, eventualmente alguns shows”, explica Dudu Linhares.

Para o diretor do J3News, Fábio Paes, a Usina do Queimado representa uma locação perfeita para grandes encontros: “O espaço é sensacional e se transforma em vários ambientes, dependendo da proposta do evento e dos decoradores. Fico feliz por Campos ter um local assim, em sintonia com muitos prédios históricos em outras cidades pelo mundo, que também foram transformados em ambientes icônicos para receber exposições, festas, congressos, polos gastronômicos e shows. Juntando o belo com a história, o resultado é muito bom. Por tudo isso, é uma alegria poder realizar nossos eventos num espaço tão cheio de magia, que nos permite viajar nas ideias e conceitos que encantam tanto nossos convidados e parceiros”, diz.

Arquitetura e história
Para o pesquisador Genilson Soares, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Campos, a iniciativa do reuso da Usina do Queimado é fundamental para a preservação do equipamento, mesmo que nesse primeiro momento só tenha a função de entretenimento e lazer: “É com ocupações como essa, aliadas às informações de caráter histórico-iconográfico, que, gradativamente, poderemos despertar nas pessoas o sentido de pertencimento para a consolidação do caráter de patrimônio cultural desses espaços. No final do século XIX e nas duas primeiras décadas do século seguinte, ocorreu em nossa região a modernização do parque industrial açucareiro, com a transformação dos engenhos e engenhocas em usinas, mais conhecidas como engenhos centrais. Foram pioneiros os de Quissamã, Barcelos e Limão na Baixada Campista. A Usina do Queimado é desse período. O comendador Julião Ribeiro de Castro realizou o benzimento do maquinário importado da Inglaterra. Hoje, abandonados e sucateados, todos esses prédios industriais e seus equipamentos vindos da Europa, representam a memória material de um momento histórico de grande pujança para a economia regional, que chegou a ter mais de 35 usinas em funcionamento”, destaca. 

Puglia|“Marco na paisagem” (Foto: Arquivo J3News)

Para o arquiteto e urbanista José Luis Puglia, a arquitetura industrial é um marco na paisagem campista. “Ela pode ser chamada com maior precisão de arquitetura do processo de industrialização. A história local se fez sobre essa arquitetura industrial que se espalhou por todo município, criando um padrão construtivo que estabeleceu modelos que foram replicados em diversas áreas do nosso território. É de suma importância a preservação desses elementos arquitetônicos que registram mais de cem anos. Conta a história de um período riquíssimo, não só em valores financeiros, mas em termos de cultura e história que se desenvolveram nessa época. As gerações futuras terão nessa arquitetura uma visão de como esse processo ocorreu”, avalia.

Puglia destaca, ainda, a construção das usinas em um período em que as tecnologias engatinhavam sem a informática atual. “Eram equipamentos de baixa precisão que conseguiam erguer verdadeiras catedrais de aço e concreto para abrigar maquinário monstruoso. Achei a ideia espetacular da Usina do Queimado dar ao prédio um destino para o convívio social e lazer”, cita o arquiteto.

Edvar|“Local cheio de lirismo” (Foto: Arquivo J3News)

O presidente da CDL Campos e apresentador do programa da J3News “Casa Decor”, Edvar Júnior, considera a Usina do Queimado cheia de lirismo. “Ela tem um toque de romance muito grande. As casas dos proprietários dentro daquele parque também. Todas as usinas campistas têm uma história muito bonita. A gente precisa resgatar essa história. A gente vai para a Europa para visitar ruínas. Nós temos as ruínas das usinas aqui que representam um afeto muito grande com a população, uma ligação com todos. As torres das usinas revelam lembranças de um período áureo de nossa economia. Quanto à arquitetura, as usinas eram projetos extremamente interessantes, personalizados em cada usina e que não se repetem. É uma riqueza muito grande”.

Projetos e investimentos
A Usina do Queimado vai continuar em processo de transformação nos próximos anos. De acordo com o seu diretor, Dudu Linhares, dentro da atividade de aluguel de espaços e arrendamento de áreas está planejada a inauguração de um restaurante temático. “No nosso critério, vai ser muito interessante para o desenvolvimento de outros projetos de locação de áreas para lojas, restaurantes, desenvolver todo um projeto de utilização das áreas que estão hoje subutilizadas. Há uma série de projetos em análise, sendo estruturados principalmente nessa área de eventos”, informa.

Dudu Linhares está empenhado, também, em desenvolver ações voltadas para o agronegócio. “A nossa atividade principal não é esquecida. Há projetos bastante audaciosos para melhorar a parte de pecuária e de lavoura, pensando em culturas que estão começando aqui na região. A soja, por exemplo, é uma possibilidade”, afirma.

Para o empresário, sediar mais um evento do J3News traz muita satisfação e repercussão. “É muito prazeroso para nós receber a empresa aqui mais uma vez, pela qualidade do jornal e por ser formador de opinião. Para nós, é muito importante contar com a divulgação bastante interessante, pois os convidados também são formadores de opinião. Muitos que vieram no ano passado não conheciam o espaço. Muitos ficaram espantados com o que viram aqui pela qualidade do evento e como foi a transformação do espaço para esse tipo de acontecimento. Este ano, com certeza, o sucesso se mantém. Devido ao profissionalismo do jornal, esta  parceria conosco é bastante interessante. É um motivo de bastante orgulho ter o J3News aqui”, conclui.