

Nesta segunda-feira (31), o Teatro Municipal Trianon, em Campos dos Goytacazes, encerra um mês de atividades e apresentações que marcam os 25 anos de inauguração da instituição artística, uma das mais importantes do Estado do Rio de Janeiro. O J3News publicou uma série de eventos neste período, e, destacou, ainda, a reportagem especial do último dia 16, “Trianon em festa pelos 25 anos” (clique aqui). A presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo LIma (FCJOL), Auxiliadora Freitas, avalia nesta entrevista a relevante data para a cultura e as artes locais. Ela comentou sobre projetos para o Trianon nos próximos meses.
Neste dia 31 de julho, acontece uma série de eventos que marca a inauguração do Teatro Trianon há 25 anos. O que destacaria?
O dia 31 de julho é o aniversário. A programação aconteceu no mês todo. Mas, no dia 31, nós temos uma programação bem específica para marcar esses 25 anos. Temos o espetáculo “A Magia do Trianon”, que está lindo e maravilhoso. Nós também instituímos o troféu Kapi. Para homenagear o próprio Kapi (diretor teatral falecido), além de arquitetos, autoridades, artistas e todas aquelas pessoas que contribuíram com os 25 anos de história. Temos uma placa que vai registrar essa passagem dos 25 anos nos jardins do teatro. Temos também o lançamento do selo comemorativo do Trianon pelo Jubileu de Prata.
O que representa esses 25 anos para a senhora como presidente da FCJOL, e como cidadã campista que viu isto aqui surgir oficialmente em 1998?
Eu acho que representa a luta de todos que se comprometeram em dar a Campos novamente uma casa de espetáculo como essa. Eu acho que isso aqui, esses 25 anos significam a resistência; a resistência dos artistas, a resistência da sociedade de uma maneira geral; a resistência de gestores públicos que entenderam a importância de voltar a dar novamente a Campos; e colocar Campos no cenário nacional, em uma casa de espetáculo que pudesse estar representando os nossos artistas e a cultura nacional. A dramaturgia nacional, a dança, a música. Então, para mim, é assim muito emocionante estar aqui. Eu já fui presidente da Fundação Trianon. Hoje a Fundação Trianon não existe mais. Está incorporada à Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima. Eu me lembro que quando cheguei, também encontrei uma situação bem difícil no teatro. A gente teve que arregaçar as mangas e colocar o teatro no rumo novamente.


A senhora fala enquanto gestora da extinta Fundação Trianon.
Sim, na minha gestão. A gente fez o fosso de orquestra, reformou os camarins, ampliou a estrutura cenográfica do teatro. Agora a gente retoma essa luta através da Fundação Cultural jornalista Oswaldo Lima. O teatro também foi encontrado em uma situação difícil, com os telhados vazando, com os camarins com bastante dificuldade, sem nenhum equipamento para atender aos artistas. A gente começou novamente a luta para colocar esse teatro no lugar. Estamos continuando, colocando-o no lugar de uma estrutura e de uma logística que ele tem, mas que estava sem manutenção.
Tem ideia de quanto custa manter esse teatro por mês?
Ah, é mais ou menos uns R$800 mil, entre funcionários, pagamento de funcionários, manutenção, iluminação, em torno disso.
A senhora acha que o teatro como um equipamento público tem cumprido o papel de atender a toda a população, de todas as esferas sociais? Alguns acham que o teatro a elitista. O que pensa disso?
Olha só, nós conseguimos democratizar o acesso ao teatro colocando a cultura popular aqui dentro. Primeiro, os territórios onde tem as escolas de samba;, as quadrilhas; a cultura urbana; começaram a fazer uso desse teatro e fazer seus eventos usando também o teatro. Começamos a fazer também espetáculos, tanto infantil como de adulto, gratuitamente, com entradas sociais; a gente também reverte essa entrada social para as instituições beneficentes da nossa cidade.
Agora mesmo, das comemorações dos 25 anos do Trianon, nós tivemos vários espetáculos gratuitos. Então, a gente sempre procura colocar na programação isso, para que tenha aqui o público que olhe por esse teatro. Não precisa se espantar. Aqui é a casa de todo mundo, é a casa da arte. E a arte é transformadora, libertadora, traz às pessoas um equilíbrio emocional, social e afetivo muito grande. Todos têm que estar aqui. Então, a gente está procurando realmente democratizar esse acesso, colocando as entradas gratuitas.


Como espectadora, qual o espetáculo ou quais o espetáculos que mais te marcaram nesses 25 anos?
Ah, tem Bibi Ferreira, tem Maria Bethânia; tem a peça “Maria do Caritó” com Lilia Cabral que fez a pré-estreia nacional aqui no nosso teatro; tem o ator campista Tonico Pereira; tem Fernanda Montenegro que já passou por aqui também. São espetáculos muito importantes que marcaram. Nós temos a galeria com esses nomes que marcaram o cenário de Campos nas grandes produções. Nós tivemos o espetáculo “A Bela e a Fera”, um musical lindo, para o público infantil. Esses espetáculos e esses artistas que passaram por aqui fizeram e deram a sua contribuição para que o público de Campos não precisasse sair daqui para ir aos grandes centros. A gente está começando a entrar no roteiro nacional de novo, com as grandes produções de espetáculo de teatro acontecendo no Brasil.
E os artistas locais?
E com os artistas locais, nós estamos procurando, além do Teatro de Bolso, oferecer aqui esse espaço para os artistas locais se apresentarem com seus trabalhos. Neste mês tivemos um tributo a Gonzaguinha, além da peça ” “Sancho Pança”. Tivemos vários espetáculos infantis de produções locais. Eu acho que essa casa também é a casa do artista local. Então, a gente está ampliando também isso. O público está entendendo a importância de valorizar os artistas da nossa terra também.
A gestão Wladimir nesse mandato se encerra em 2024. O que a senhora pretende para este teatro até o ano que vem?
Nós vamos iniciar uma grande obra depois desses 25 anos. O prefeito já assinou a licitação. É a primeira grande obra que esse teatro vai receber. É mais ou menos R$1,7 milhão para atender as demandas internas que o teatro está necessitando. Vamos ter também um investimento muito grande na parte de sonorização do teatro que há 25 anos não recebe. Só recebeu na época que eu fui presidente daqui do Trianon. Compramos uma caixa de som alemã que está aí hoje, muito potente, que era o auge na época em 2010/2011.
A gente vai fazer também essa aquisição, já está sendo preparado para remodelar e atualizar tecnologicamente o sistema de sonorização do teatro. Vamos também fazer toda a remodelação também do sistema de iluminação. Nós estamos em manutenção, mas nós vamos fazer um sistema de iluminação também para acompanhar os avanços da tecnologia nesse sentido. E a grande reforma que vai ter com ampliação inclusive também da parte de cenografia do teatro, para atender essas demandas todas. Então, é a primeira vez que o teatro vai receber essa grande reforma. E as pessoas podem esperar isso.
Resumidamente, o que se espera para os próximos 25 anos em um Jubileu de Ouro?
Sinceramente, sem nenhum tipo de retaliação, nada disso, mas eu espero que os próximos gestores e os próximos governos entendam que cultura é investimento. Que cultura não é gasto, e que esse teatro aqui representa exatamente o templo da cultura do nosso município. O gestor tem que preservar não só o teatro, mas toda a estrutura histórico-cultural dos equipamentos que a Fundação possui. Nós não podemos menosprezar mais a cultura. A história desta cidade que é tão bonita, que é tão significativa, não só para nós campistas, mas pro Brasil também. E esse teatro aqui é isso. Abriu novamente as portas de Campos para a cultura nacional. Então, a gente espera que realmente os próximos gestores possam ter o compromisso de promover a manutenção necessária, para que esse teatro aconteça por muito mais que 25 anos.


O que mais gostaria de considerar e destacar nessa data?
Quero dizer que a gente às vezes ouve muito as pessoas reclamarem que Campos não tem cultura; que Campos não tem programação cultural. Digo para as pessoas que não é assim. Quem não prestigia os espetáculos que estão acontecendo e toda a programação cultural dessa cidade, feita no Arquivo, no Museu, no Teatro de Bolso; no nosso projeto cultura na rua; nas casas de cultura que a gente tá reabrindo.
Campos tem cultura. Não precisa sair daqui para ir nos grandes centros. Vamos nos prestigiar porque isso nos fortalece. Faz com que a nossa cultura esteja cada vez se potencializando; cada vez mais vou continuar dizendo que a gente se orgulhe dessa história, dessa cultura da nossa cidade. Campos não é um município qualquer em história e cultura. É Campos. Somos os campos. Somos os Campos dos Goytacazes. Então, o cidadão campista precisa conhecer essa história e essa cultura da sua cidade; conhecendo para amar, se sentir pertencente, cuidar, zelar e lutar todos juntos pela cultura da nossa cidade.
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