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Campos terá 22 cirurgias por mês para reconstrução de mama

Investimento mensal será de R$450 mil e anúncio foi feito pela primeira-dama em série de palestras para prevenção do câncer de mama

Geral
Por Redação
21 de outubro de 2022 - 17h51
Evento lotou o auditório da Câmara Municipal – Foto: Carlos Grevi

A primeira-dama do Município de Campos, Tassiana Oliveira, anunciou que a Prefeitura de Campos vai promover 22 cirurgias por mês para reconstrução de mama em mulheres que passaram pelo câncer de mama. O investimento mensal será de R$ 450 mil e o anúncio foi feito na tarde desta sexta-feira (21), em uma exposição fotográfica e série de palestras pelo Outubro Rosa que aconteceu na Câmara Municipal de Campos.

Atualmente, a reconstrução não é feita por falta de recursos. Com a anúncio, a Prefeitura de Campos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, vai subsidiar os custos para as cirurgias, já previstas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Estou antecipando esta notícia deste evento sem mesmo consultar o meu marido que é sempre quem faz esses anúncios. Mas não poderia deixar de dar esta informação tão importante neste evento lotado de mulheres que estão se informando sobre o câncer de mama e buscam a prevenção”, informou Tassiana.

Paciente Elaine – Foto: Carlos Grevi

A primeira-dama se emocionou com o relato de uma paciente oncológica que descobriu uma suspeita de câncer de mama em 2020, durante a pandemia do coronavírus e não teve acesso ao tratamento precocemente. Ela precisou retirar a mama direita e lamentou não ter conseguido, até agora, fazer a reconstrução. “Não ter tido acesso à reconstrução da mama ainda me dói muito. Na época da pandemia eu procurei informações na internet e confiei na possibilidade de não ser portadora de câncer, mas de um fibroadenoma, que é um nódulo benigno. Então meus exames ficaram esquecidos, até porquê, os serviços de saúde estavam voltados para a pandemia. Quando, de fato, eu comecei a tratar, o tumor já estava avançado”, contou a paciente Elaine.

A médica mastologista do Grupo IMNE Oncologia Maria Nagime comemorou a notícia. “A reconstrução conta muito para melhorar a autoestima das pacientes que precisam retirar toda a mama por descobrirem a doença em estágio já avançado. Hoje em dia é inviável fazer essa cirurgia, pois não há recursos públicos que cubram os gastos, mas com o subsídio, isto se tornará possível”, explicou.

Maria Nagime, mastologista – Foto: Carlos Grevi

A série de palestras lotou o auditório da Câmara de Vereadores. O evento começou às 14h, com três mesas redondas e palestras com médicos, psicólogos, nutricionistas e profissionais de educação física.

O oncogeneticista do Grupo IMNE Oncologia, Dr. Gustavo Drumond, palestrou sobre os avanços da genética no tratamento e prevenção dos cânceres, inclusive os de mama. “É fato que todos os cânceres são genéticos, mas só 10% deles terão origem em alguma mutação herdada dos seus antepassados. E esta pesquisa genética detecta essa origem e torna o tratamento mais preciso, além da prevenção a recidivas e prevenção de novos casos na família com decisões tomadas em conjunto do que é preciso ser feito para se antecipar ao problema”, informou.

O Radio-oncologista do Grupo IMNE Oncologia Dr. Ronaldo Cavalieri destacou que estudos científicos promovidos no mundo constataram os benefícios de uma cirurgia conservadora de mama associada ao tratamento de radioterapia. “Os resultados são, realmente, muito bons. Nos casos de câncer de mama, tratamos todo o tecido mamário, protegendo os outros órgãos dos efeitos e fazemos todo o acompanhamento devido. Os resultados são surpreendentes”, disse.

O fertileuta, Dr. Francisco Colucci palestrou sobre a possibilidade de mulheres em idade fértil que descobrem o câncer de mama poderem engravidar após o tratamento fazendo o congelamento de óvulos e gametas. “Antes a gente tinha que esperar o ciclo menstrual da mulher para colher esses óvulos. Hoje, fazemos este trabalho de estimulação em 15 dias, desde que a mulher dá entrada no serviço até a execução de fato para o congelamento”, explicou.

A médica radiologista, Nicole Velasco, contou sua experiência durante os exames. “Se tem uma notícia que não gosto de dar às minhas pacientes é que eu encontrei no exame de imagem algum tumor ou suspeita de câncer. Por outro lado, eu gosto muito de falar quando o exame não apresenta nenhuma alteração maligna”.

As palestras foram mediadas pela médica oncologista Janaína Lobo. Além das palestras, o evento contou com uma exposição fotográfica no hall da Câmara com fotografias de Binho Dutra.