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Médico fala sobre relação entre letalidade da Covid-19 em crianças e imunização de adultos

Anvisa liberou imunização de crianças de 3 a 5 anos e município do Rio é o primeiro a aderir

Tudo sobre coronavírus
Por Redação
18 de julho de 2022 - 8h01
João Cláudio Migowski

Na última semana, o subsecretário de Atenção Básica em Saúde de Campos, Rodrigo Carneiro, confirmou ao Jornal Terceira Via que a irmã gêmea e a irmã mais velha, de três anos, da bebê de 11 meses que morreu de Covid-19 em Campos, estão internadas no Hospital Ferreira Machado. Embora exames tenham descartado a doença, há ainda a suspeita, já que, a bebê que acabou vindo a óbito também testou negativo, tendo confirmado a doença somente com exame após a morte. O caso de Covid-19 em três irmãs pode causar alarde sobre aumento da letalidade do vírus em crianças. Mas a hipótese foi descartada por médico.

O Jornal Terceira Via conversou com o João Cláudio Migowski, médico que atuou na linha de frente, no início da pandemia, para sondar a possibilidade de maior letalidade do vírus, diante da imunização dos adultos.

“A história natural dos vírus, de modo em geral é ele se tornar cada vez mais transmissível e cada vez menos virulento, ou seja, cada vez menos capaz de causar a forma grave da doença”, explica João, acrescentando ainda que a cepa que circula atualmente é menos capaz de causar a doença grave do que a cepa original usada para desenvolver as vacinas.

Para João, não há como fazer relação entre a letalidade do vírus em crianças e a imunização de adultos.

“Particularmente eu não acredito que exista uma relação entre a vacinação dos adultos e uma maior letalidade da doença em crianças, se a gente partisse daí, estaria pressupondo que a vacinação gera a uma seleção dos vírus, que fazem com que ele se torne mais agressivo e eu não acho que essa seja a realidade no momento”, expõe o médico.

No caso das irmãs, o médico chama atenção para uma possibilidade: “No caso dessas crianças, exclusivamente nessa família, a gente sempre liga o sinal alerta para alguma alteração genética, pra alguma característica genética que elas tenham, porque a irmã gêmea dela está internada e a irmã mais velha de 3 anos também está internada. Então, será que elas têm algum componente genético que favoreça a forma mais grave da doença? Isso também é uma possibilidade”, salienta.

Vacinação infantil em Campos

Vacinação infantil
No último dia 13, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação emergencial da vacina CoronaVac em crianças de 3 a 5 anos de idade.

Durante reunião da diretoria colegiada, em Brasília, por unanimidade, a agência seguiu recomendação das áreas técnicas e autorizou a imunização com duas doses da vacina, no intervalo de 28 dias. A aprovação vale somente para crianças que não são imunocomprometidas.

Dois dias depois da autorização, o município do Rio a vacinar crianças de 3 e 4 anos contra a Covid com a CoronaVac, sendo a primeira capital brasileira a imunizar esses pequenos.