×
Copyright 2024 - Desenvolvido por Hesea Tecnologia e Sistemas

MST ocupa parte das terras da Usina Cambahyba

Aproximadamente 300 famílias estão ocupando o local desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira

Campos
Por Redação
24 de junho de 2021 - 8h56

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou na manhã desta quinta-feira (24), parte das terras da Usina Cambahyba, em Campos, após esta ser oficialmente desapropriada para fins de Reforma Agrária pela Justiça.

Segundo o MST, 300 famílias estão ocupando o local, após uma decisão da, 1ª Vara Federal de Campos, no dia 05 de maio, que decretou oficialmente desapropriada uma das fazendas que pertencem ao complexo da Usina Cambahyba.

“Ocupamos as terras da Cambahyba para exigir democracia, terra para produzir comida saudável para todas as trabalhadoras e trabalhadores pobres do campo e da cidade que vem sofrendo as consequências da pandemia de Covid-19 negligenciada pelo governo”, afirmou o MST.

Integrante da direção do Movimento Sem-Terra, Luana Carvalho, cita situações de assassinatos, mortes e incineração de corpos na região de Cambahyba nas últimas décadas.

“Para nós, essa desapropriação é muito importante, um marco na história do MST no Rio de Janeiro. Temos uma história de 21 anos de muita luta no complexo de Usinas na Cambayba. A gente já conquistou o assentamento Oziel Alves. Com a desapropriação de mais três fazendas, é mais um passo para que possamos conquistar toda a Usina, que tem uma história de dor, de sofrimento, de incineração de corpos na Ditadura, e que agora a gente pode reconstruir como uma história de reforma agrária popular.

O MST quer pressionar o Incra para que seja construído um assentamento com as famílias que ocupam o território há pelo menos 20 anos. “Aqui nessa ocupação temos em torno de 300 famílias, algumas estão chegando ainda. Foram três fazendas desapropriadas, quase 1,5 mil hectares. Dá para assentar bastante pessoas”, comenta.

A última desapropriação para o MST no estado do Rio de Janeiro foi no ano de 2014. Dois acampamentos foram desapropriados na região Sul Fluminense e em Macaé. Desde o governo Dilma não houve nova desapropriação. “O último acampamento que a gente fez foi três anos atrás, que se chama Edson Nogueira, em Macaé”, explica.

De acordo com o MST, o processo de desapropriação estava há muitos anos parado no Judiciário. No governo Fernando Henrique, foi assinado que as terras de Cambahyba terras não cumpriam sua função social e deveriam ser destinadas à reforma agrária.

O Incra é o instituto responsável pela realização e regularização da reforma agrária. O tempo de espera por isso pode ser bem longo. “Bolsonaro quer acabar com a reforma agrária. A gente sabe que não tem orçamento, crédito, recursos para implementação da política pública”, afirma.

Morte em Cambahyba

No dia 25 de janeiro de 2013, o militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Cícero Guedes dos Santos foi assassinado em Campos dos Goytacazes. Ele era um dos líderes do movimento no assentamento nas terras da usina Cambayba, em Martins Lage, na divisa da cidade com o município de São João da Barra. Cícero foi atingido com vários tiros na cabeça e encontrado em uma estrada vicinal.

De acordo com o MST, a morte foi ocasionada pela disputa da terra. Os sem-terra pediam a desapropriação de parte da propriedade de 2.800 hectares considerada improdutiva pelo Incra. Desde o ano 2000, o MST ocupava uma parte do terreno da usina O caso estrou em disputa na Justiça. Cícero foi um dos coordenadores daquela ocupação.

Em novembro de 2019, o Tribunal do Júri inocentou José Renato Gomes de Abreu, principal suspeito de ser o mandante do assassinato de Cícero Guedes, militante do MST. O júri popular decidiu pela absolvição do réu por 4 votos a 2.

Militante do MST, Alexandre Gomes é morador de Campos dos Goyatacazes. Ele lembra a morte de Cícero Guedes.

“Não conheci o Cícero pessoalmente. Mas, para mim, que tenho 25 anos, a mesma idade do MST no Estado do Rio, o legado é muito importante. Quando ele dizia que ocupar a Cambahyba para a reforma agrária seria uma questão de honra, para todos nós, que estamos aqui, muitos dos quais jovens, também é uma questão de honra. Cícero foi uma grande liderança e que segue inspirando todos nós nessa luta pela terra, pela reforma agrária, por justiça social, por democracia e pela conquista do chão, para que a gente possa produzir alimentos saudáveis”, conclui.

Galeria de imagens