

Vinícius Viana – Secretário Executivo do Cidennf – O Norte e o Noroeste Fluminense vivem uma importante janela de oportunidade econômica. Novos investimentos em petróleo e gás, projetos ligados ao Porto do Açu, eólica offshore, hidrogênio, biometano e outras fontes de energia indicam a formação de um novo ciclo que pode ampliar as possibilidades de desenvolvimento da região.
Os acontecimentos recentes reforçam esse cenário. Novas áreas do pré-sal e blocos na Bacia de Campos foram arrematados, enquanto o planejamento energético nacional aponta para a continuidade do petróleo e do gás ao lado do crescimento das fontes renováveis. A região reúne ainda infraestrutura offshore, porto de águas profundas, geração de energia, linhas de transmissão e instituições de ensino capazes de apoiar essa transformação.
Mas uma provocação precisa ser feita aos municípios: quanto desses investimentos permanecerá efetivamente na região? Mais importante do que receber grandes empreendimentos é criar condições para que empresas locais participem das cadeias de fornecimento, trabalhadores sejam qualificados e novos negócios, empregos e renda sejam gerados dentro do próprio território.
Essa estratégia precisa considerar as diferentes vocações regionais. O Porto do Açu ocupa posição relevante nos novos projetos energéticos e industriais; Campos pode ampliar seu papel nos serviços, conhecimento, educação, saúde e suporte empresarial; Macaé possui experiência acumulada na cadeia offshore; e o Noroeste pode avançar em áreas como agricultura, biomassa, biogás, biometano, energia solar e pequenas e médias indústrias.
O desafio é evitar respostas isoladas para transformações que são regionais. Uma empresa instalada em São João da Barra pode contratar serviços em Campos, fornecedores em Macaé, alimentos produzidos no Noroeste e profissionais formados pelas instituições de ensino da região. Por isso, uma Agenda Regional de Desenvolvimento 2035 pode ajudar a antecipar investimentos, identificar demandas e orientar ações de infraestrutura, qualificação e diversificação produtiva.
A região não precisa escolher entre petróleo e transição energética. O caminho está em utilizar a infraestrutura, os recursos e o conhecimento construídos pela indústria de óleo e gás para abrir espaço às novas cadeias econômicas. Transformar essa oportunidade em desenvolvimento permanente dependerá de planejamento, integração regional e cooperação entre os municípios.
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