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Craques do Passado: César, o herói imortal

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Esporte
Por Redação
11 de outubro de 2026 - 0h07

Por Leonardo Barros

Foi aos 32 minutos do 2° tempo da decisão da Libertadores de 1983 que César Oliveira virou um imortal do Grêmio. Estádio Olímpico lotado, jogo duro contra Peñarol, o atacante de São João da Barra acreditou: deu um peixinho (cabeçada rente ao chão) para marcar o gol do título gremista. A jogada o tornou ídolo e herói.
O “não desistir” marcou a carreira de César, que sofreu com lesões naquela temporada, mas insistiu, saiu do banco de reservas para entrar para a história do clube gaúcho. O garoto da Praia de Atafona, que gostava de barcos e pescaria, brilhou no futebol brasileiro e do exterior.  

“O Renato Gaúcho era um jogador diferenciado, fez uma grande jogada e cruzou para a área. O peixinho foi a única forma de fazer o gol, pois não ia conseguir chutar. O título foi muito importante, pois o nosso maior rival, o Internacional, já havia chegado perto da conquista da Libertadores, mas fomos campeões primeiro. Vinha de uma temporada ruim fisicamente, mas consegui jogar contra o Peñarol”, disse César em entrevista em 2009.

As questões físicas persistiram. Cinco meses depois, no Mundial, viajou para o Japão, mas não entrou em campo contra o Hamburgo, da Alemanha. Viu seus companheiros conquistarem o título na prorrogação, 2 a 1, com dois gols de Renato Gaúcho. “Novamente fui prejudicado por lesões. Esse jogo foi do Renato. Vale ressaltar também a atuação do Mário Sérgio, que foi contratado para essa disputa e foi um dos destaques em campo”.

Entre Atafona e Campos
A fama de herói no Grêmio só foi possível por causa da paixão pelo futebol desde a infância na bucólica Atafona. Entre a pescaria e os barcos, César jogou pelos times amadores de São João da Barra. Com idade de juvenil, foi para o Americano. Em Campos, morou no alojamento do clube, passou apertos, mas não desistiu. Foi campeão campista em 1975.

“Mesmo contra a vontade do meu pai, fui insistente na carreira de jogador de futebol. Em Campos, trabalhava na parte da manhã, treinava à tarde e estudava à noite. Na época, o Americano estava construindo a primeira parte das arquibancadas do Estádio Godofredo Cruz e dormíamos perto da obra e sempre acordava com o rosto cheio de poeira de cimento” contava o ex-atacante, sempre emocionado.

César virou profissional mesmo no futebol carioca. O ex-zagueiro Pinheiro, campista que jogou a Copa de 1954, o levou para o Fluminense, mas não teve chances. A próxima parada seria o America-RJ. Nos bons tempos do estádio do Andaraí, César também foi ídolo. Goleador, foi artilheiro do Brasileirão de 1979, com 13 gols. Era o cartão de visitas para conhecer o futebol do interior, em uma época em que as transferências internacionais não eram tão comuns.

“Na época, o Benfica queria comprar o Cláudio Adão, que jogava no Flamengo. Um dia à noite, o presidente do América me ligou e pediu para me apresentar na sede do clube. O presidente do Benfica estava lá e disse que queria me levar para Portugal. Aceitei, foi uma grande oportunidade”, disse.

Em Portugal, César deslanchou. Logo no início, marcou o gol do título da Taça de Portugal de 1980 contra o Porto. Foi bicampeão português (1980/1981 e 1982/1983), além de semifinalista da Liga dos Campeões. Chegou a sonhar com a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, mas o técnico Telê Santana levou Roberto Dinamite e Serginho Chulapa.

Aposentadoria
As lesões atrapalharam a sequência da carreira do ex-atacante. Depois do destaque no Grêmio, passou por Palmeiras, São Bento e Pelotas. No clube do interior gaúcho, César trabalhou com a dupla Luiz Felipe Scolari e Flávio Murtosa, em início de carreira. Diferentemente de outros momentos, foi o camisa 10. “Posso dizer que fiz uns golzinhos por lá. Aí, encerrei mesmo, não dava mais (tinha 31 anos). Fazia um jogo e ficava 15 parado”, contou o ex-jogador ao Globo Esporte.

Começou uma potencial carreira como treinador no próprio Pelotas. Porém, voltou para Atafona para ficar próximo à família. A lesão entre o fêmur e a bacia afetou até o seu dia a dia. Não conseguia nem jogar mais peladas e jogos festivos. Com o tempo, teve dificuldade até para andar. Curtia a casa perto da praia, o quintal com árvores frutíferas, os filhos e netos. Reclamava do abandono de parte da mídia, do Grêmio e de antigos companheiros, entre eles Renato Gaúcho.

Recebeu homenagens do Grêmio, entrando na calçada da fama do clube. É lembrado pelos torcedores como ‘herói do título da Libertadores de 1983”. Morreu em 2024, vítima de complicações por um câncer de próstata. Mas, como imortal, sempre será lembrado pelos gremistas, americanos, benfiquenses e todos os outros apaixonados pelo futebol.