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Câmara dos Deputados terá 35,6% de renovação na próxima legislatura; Nikolas Ferreira é o mais votado

Bancada feminina será a maior da história, enquanto número de parlamentares negros e indígenas diminui

Política
Por Redação
6 de outubro de 2026 - 7h54

Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL)

A Câmara dos Deputados terá 183 novos parlamentares a partir de fevereiro de 2027. O número corresponde a 35,67% dos 513 deputados eleitos no primeiro turno das eleições deste domingo (4), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A próxima legislatura será de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2031.

Dos eleitos, 301 foram reeleitos, o equivalente a 58,6% dos parlamentares que já ocupavam o cargo como titulares ou haviam assumido a vaga durante a atual legislatura. Outros 29 ex-deputados federais retornarão à Câmara. A taxa de renovação ficou abaixo da registrada em 2022, quando chegou a 39,3%.

A eleição também estabeleceu novos recordes individuais. Reeleito pelo PL de Minas Gerais, Nikolas Ferreira, de 30 anos, ultrapassou 3,11 milhões de votos e se tornou o deputado federal mais votado da história do país. Em 2022, ele já havia alcançado o recorde, com 1,47 milhão de votos.

Lucas Pavanato (PL), de 28 anos, vereador de São Paulo, ficou em segundo lugar, com 3.038.438 votos. Erika Hilton (PSol-SP), reeleita com 1.596.472 votos, foi a mulher mais votada para a Câmara e ficou na terceira posição geral.

Câmara dos Deputados (Arquivo)
Mais mulheres

A representação feminina atingiu um recorde. Ao todo, 108 mulheres foram eleitas para a Câmara, 17 a mais do que em 2022, quando 91 deputadas conquistaram mandato. O crescimento foi de 18,68%.

Para a advogada e professora de Direito Constitucional Damares Medina, o resultado representa um avanço histórico, independentemente das diferentes posições políticas das parlamentares.

Bancada negra encolhe

Os candidatos autodeclarados pretos e pardos elegeram 135 deputados, correspondendo a 26,3% das cadeiras da Câmara. Em 2022, foram 139 parlamentares negros eleitos, o que representa uma redução de quatro cadeiras, ou 2,9%.

Entre os candidatos indígenas, apenas três conquistaram mandato para a próxima legislatura: Paulo Guedes (PT-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Sônia Guajajara (PSol-SP). Em 2022, cinco indígenas haviam sido eleitos.

Com isso, a representação indígena caiu para aproximadamente 0,58% da Câmara. Ao todo, 73 indígenas concorreram ao cargo de deputado federal em 2026.

PL amplia liderança

O Partido Liberal terá a maior bancada da próxima legislatura, com 121 deputados, 24 a mais do que na eleição anterior. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, ficou em segundo lugar, com 88 cadeiras.

A Federação União Progressista, de União Brasil e PP, terá 87 deputados. Na sequência aparecem PSD, com 43; Republicanos, com 41; MDB, com 36; Podemos, com 27; PSB e Federação PSol/Rede, com 15 cada; PSDB/Cidadania, com 11; Novo, com 10; PRD/Solidariedade, com sete; PDT, com seis; Avante, com cinco; e Missão, com um deputado.

Segundo Damares Medina, o tamanho das bancadas influencia diretamente a distribuição de poder no Congresso, inclusive na definição de prioridades orçamentárias e de emendas parlamentares.