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X-Todas leva mulheres negras e indígenas ao palco do Teatro Firjan SESI Campos

Programação se estende por 4 dias e valoriza a produção cultural local

Geral
Por ASCOM
22 de agosto de 2026 - 8h34
Fotos: Divulgação/Firjan Norte Fluminense

Entre os dias 25 e 29 de agosto, o Teatro Firjan SESI Campos se transforma em palco para o X-Todas 2026, festival que reúne música, teatro, cinema, oficinas, performances, vivências e debates em torno das memórias, saberes e trajetórias de mulheres negras e indígenas. A programação ocupa seis unidades. Entre elas, Campos e Macaé.

Com o tema “Memórias que Insistem: Caminhos de Mulheres Negras e Indígenas”, o festival propõe um olhar sobre ancestralidade, território, pertencimento e resistência por meio de diferentes linguagens artísticas. Entre os destaques que se apresentam em Campos estão Sued Nunes e Kaê Guajajara. A programação reúne ainda artistas e coletivos de diferentes territórios do estado.

No Teatro Firjan SESI Campos, a programação valoriza a produção cultural local. No dia 25, à tarde, às 15h, acontece a oficina Percurso ancestral caminho de volta, que se propõe a resgatar os saberes, os fazeres, a cultura, a língua, o modo de vida, a medicina, as práticas, os hábitos, e as histórias dos povos que habitaram e habitam nosso território.

Utilizando a dinâmica poética e contra-colonial de Nego Bispo (2015), reconhecendo a circularidade dos povos tradicionais em consonância com as vivências e práticas cotidianas que integram a socialização do povo campista, a prática almeja trazer para espaços diversos perspectivas originárias de nossa região e das retomadas étnicas, através da utilização e da experimentação de elementos, objetos, símbolos e das oralidades que guardam aspectos valiosos das origens indígenas presentes em nossas coletividades.

Já à noite, às 20h, o destaque da programação fica por conta de Quilombo Urbano, show da DJ Carol Tomaz que reúne rap, samba e música eletrônica da cena campista, com participações de Michele Pereira e Laila Mathias.

O X-Todas é resultado de uma trajetória que começou em 2010, quando o projeto ainda se chamava X-Tudo Cultural. Criado com a proposta de democratizar o acesso à cultura no Estado do Rio, o projeto reuniu, ao longo dos anos, atrações de música, dança, artes plásticas, cinema e teatro, além de oficinas, palestras e workshops. Em 2023, passou a se chamar X-Todas e ampliou o foco para as trajetórias e o protagonismo das mulheres. Em 2026, o festival volta o olhar para as mulheres negras e indígenas, colocando em diálogo diferentes formas de preservar e transmitir histórias.

Música, teatro e novas vozes
A música é um dos destaques da programação. No dia 27 de agosto, às 20 horas, Kaê Guajajara, uma das referências da arte originária brasileira, apresenta um show acústico que revisita os principais momentos de sua carreira e aproxima canto ancestral, violão, percussão, piano e beatbox. Sued Nunes, cantora e compositora baiana que ganhou projeção nacional com o álbum Travessia e a música Povoada, se apresenta em Campos no dia 28, às 20 horas.

Também no dia 28, as 15 horas, tem oficina de bordado livre com Aline Bagre, artista têxtil e narradora de memórias visuais, uma proposta de experimentação poética e manual. Seu trabalho se fundamenta no bordado como prática de preservação de memórias, fortalecimento identitário e resistência cultural. Nessa experiência, o bordado se torna uma linguagem para contar histórias que não foram escritas, mas que vivem no corpo, na oralidade e no gesto. Através do fio, são traçadas imagens que traduzem afetos, memórias e simbologias que atravessam gerações.

A programação se estende para além dos palcos. Oficinas de bordado, escrita criativa, escultura em argila, dança afro e grafismo, além de vivências e performances, convidam o público a participar diretamente das experiências propostas pelo festival.

Fonte: Firjan Norte Fluminense