

Acontece em Campos dos Goytacazes, nesta quinta-feira (1º) e sexta-feira (2) uma edição especial do Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (PBRN-SBP). A capacitação reúne mais de 150 médicos, residentes e outros profissionais que atuam na assistência a recém-nascidos. Realizado pela SBP e pela Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ), o treinamento acontece na sede de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e tem o apoio do Centro Nicola Albano (Grupo IMNE).
As atividades teóricas e práticas seguem as novas diretrizes do programa para o período de 2026 a 2030 e são voltadas aos procedimentos realizados nos primeiros momentos de vida do recém-nascido, especialmente em situações de emergência.


O programa da SBP já contabiliza 200.848 certificações emitidas para pediatras e outros profissionais de saúde em todo o país por meio dos cursos teórico-práticos. Além da capacitação, materiais destinados ao treinamento e ao atendimento neonatal serão doados a instituições que atuam na assistência a mães e recém-nascidos no Estado do Rio de Janeiro.
A coordenadora do Programa de Reanimação Neonatal para o Estado do Rio de Janeiro, doutora Giselda Carvalho, explicou que Campos foi escolhido para sediar a capacitação após um levantamento sobre os municípios fluminenses com maior número de nascimentos.


“Campos não foi escolhido casualmente. Fizemos um levantamento estatístico e identificamos os municípios com maior índice de nascimentos. Campos está entre eles e atende essa população, além de receber profissionais de cidades vizinhas”, afirmou.
A ação reúne profissionais de diferentes municípios e conta com materiais fornecidos por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria e A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Os equipamentos utilizados no treinamento serão posteriormente destinados às instituições dos participantes.


Segundo Giselda, o principal objetivo é melhorar a resposta dos profissionais diante de situações de emergência no nascimento. “A nossa maior intenção é diminuir o índice de asfixia perinatal na sala de parto. O treinamento prepara médicos, enfermeiros e técnicos para agilizar a assistência ao bebê e, assim, contribuir para a redução da mortalidade neonatal”, destacou.
O médico-pediatra e neonatologista Gustavo Benvenuti, vice-coordenador do Programa de Reanimação Neonatal do Estado do Rio de Janeiro, destacou a importância da capacitação para qualificar o atendimento aos recém-nascidos.
“O objetivo do programa é treinar os profissionais de saúde que atuam na reanimação. Esse treinamento é fundamental para contribuir com a redução dos casos de asfixia e melhorar cada vez mais a assistência na sala de parto”, afirmou.
Com experiência na formação de residentes de pediatria e neonatologia, Benvenuti ressaltou que os profissionais capacitados também atuam como multiplicadores do conhecimento.


“O residente é um multiplicador. Por isso, essa parceria é muito importante para treinar profissionais e ampliar a capacidade de resposta na sala de parto”, explicou.


A capacitação reúne representantes de dez municípios, e os materiais utilizados durante o treinamento serão destinados às instituições das regiões participantes. “Às vezes temos um instrutor em determinada região, mas ele não dispõe do material necessário. A partir dessa iniciativa, os profissionais poderão ser treinados pelos instrutores que já atuam nessas localidades, permitindo a multiplicação do conhecimento e uma resposta cada vez mais positiva onde o programa é necessário”, destacou.
Centro Nicola Albano
A médica neonatologista Laura Dias, diretora do Centro Nicola Albano UTI Neonatal e Pediatria (Grupo IMNE), falou da importância do evento e da participação dos profissionais da instituição no treinamento. “Essa parceria é muito útil e necessária, porque esse é um curso que tem custo. O treinamento das pessoas envolvidas no momento do nascimento é extremamente importante para reduzirmos mortes e casos de paralisia cerebral”, afirmou.


A escolha dos municípios participantes levou em conta o número de partos e os indicadores relacionados à mortalidade. A capacitação permite preparar equipes para agir de forma coordenada em situações de emergência. “Temos cerca de um minuto para avaliar o bebê, verificar se está respirando e se tem frequência cardíaca normal. Quando acontece um insulto hipóxico-isquêmico, precisamos ser muito rápidos. E, para isso, é necessário treinamento”, explicou.


A médica ressaltou que a reanimação neonatal depende do trabalho conjunto de toda a equipe presente na sala de parto. Para doutora Laura, a qualificação das equipes pode ampliar as chances de sobrevivência e reduzir sequelas entre os recém-nascidos.
“Eu sozinha não consigo fazer todos os passos da reanimação. Preciso que quem esteja ao meu lado tenha condições de olhar, identificar a situação e já iniciar os procedimentos. Por isso, todas as pessoas precisam ser treinadas. A incidência de asfixia perinatal ainda é alta na nossa região. Quando o bebê nasce em um local onde tudo está preparado e a equipe está treinada, ele tem maior chance de sobrevida e de não desenvolver paralisia cerebral”, comentou.
Igreja Jesus Cristo e ação voluntária
Missionária e voluntária em ações comunitárias da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Janete Obata destacou a importância da parceria para a capacitação de profissionais em reanimação neonatal.


“O objetivo é treinar profissionais de saúde responsáveis por salvar a vida dos bebês, contribuindo diretamente para a redução da mortalidade neonatal. Há quase 20 anos a Igreja mantém essa parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, financiando a estrutura necessária para a realização dos cursos”, explicou.
Os equipamentos utilizados nos treinamentos seguem as especificações da Sociedade Brasileira de Pediatria, que atualiza os materiais conforme as novas normas e procedimentos.
“Grande parte desse material é importada. São bonecos que reproduzem as reações de um bebê real, incluindo respiração, batimentos cardíacos e até o choro. Dessa forma, os profissionais podem treinar a identificação dos sinais vitais e a resposta aos procedimentos”, afirmou.


Ao final da capacitação, os kits utilizados são doados a hospitais da região. “Existe uma avaliação numérica e uma curva de redução desde que o projeto começou, mas a melhor forma de medir é pensar em cada bebê que foi salvo e em cada criança que não teve paralisia porque o profissional estava preparado para recebê-la”, afirma.
Missionário e voluntário, Carlos Obata destacou a experiência de percorrer diferentes regiões do Brasil levando apoio e equipamentos para iniciativas voltadas à saúde neonatal.


“Temos percorrido várias partes do Brasil e encontrado pessoas maravilhosas. Apesar das carências e dos contrastes, há muita gente de boa vontade, e nós procuramos nos associar a essas pessoas. Os médicos e profissionais da Sociedade Brasileira de Pediatria são apoiados por nós, e eles levam esse conhecimento para outras pessoas. Pelos relatos e depoimentos que recebemos, o resultado tem sido bastante satisfatório”, explicou.
Ele ressaltou que as ações fazem parte de uma série de projetos desenvolvidos pela instituição. “Este ano promovemos quatro projetos nessa área e, no ano passado, foram seis. É uma parcela do trabalho que realizamos, mas o impacto é bastante significativo”, disse.
Para Obata, participar das iniciativas também representa uma realização pessoal e uma forma de contribuir com pessoas que enfrentam maiores dificuldades. “Aprendemos com nossos pais a importância dos estudos e de buscar um patamar melhor. Hoje podemos emprestar um pouco do que aprendemos, de forma voluntária, para quem tem uma carência maior”, conclui.