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Agosto — Início da campanha. “QUE COMECEM OS JOGOS”

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Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
17 de agosto de 2026 - 18h15

Pelo que se tem visto, campanha presidencial projeta selvageria verbal ilustrativamente comparada aos combates físicos de tempos primitivos da sociedade

No domingo, 16, começou o período de propaganda/campanha para as eleições deste ano, com destaque para a corrida presidencial. Já estão valendo distribuição de material, comícios, carreatas, passeatas, propaganda paga em jornais, impulsionamento pago via Internet, entre outros. Tudo seguindo as normas da Justiça Eleitoral.

Contudo, pelo tom hostil das pré-candidaturas, troca de ofensas e acusações, obviamente de forma utópica e meramente ilustrativa, reporta-se à imagem de gladiadores nos espetáculos do Coliseu, cujos combates eram precedidos da frase “Que comecem os jogos”.

Caberá ao TSE, que já vem se mostrando atento a abusos, tratar de forma preventiva e punitiva eventuais transgressões. 

E caberá ao povo brasileiro, num improvável estalar de dedos, acordar e enxergar o que tem custado ao Brasil o Mensalão, o Petrolão, as pedaladas fiscais de Dilma e a paralização do País com seu impeachment. O conturbado governo Temer e o despreparo com final melancólico do mandato de Jair Bolsonaro. O ‘Caso Master’ e os que com ele se lambuzaram. A frágil, confusa e cambaleante pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, bem como o mandato do presidente Lula da Silva, que abriu um abismo entre o que prometeu e o que realizou e, ainda pior, a falta de limites na gastança em busca da reeleição. 

Não está fácil. O País enfrenta crises avassaladoras e os dois candidatos que polarizam a disputa são os mais rejeitados pela população. 

Os episódios que vêm antecedendo a eleição que irá definir o próximo presidente da República revelam algo tão incomum quanto desanimador: o eleitor se mostra estático e já não liga muito para a escalada de escândalos.  

Trata-se de constatação sui-generis e em desfavor do Brasil. O povo, de tanto ver vantagens ilegais, roubos, desvios e esquemas criminosos de toda ordem, não raro protagonizados por figurões da política, se acostumou. O horror virou paisagem comum. De certa forma, as próprias pesquisas de intenção de votos revelam isso.

No caldeirão que a cada 15 dias entra um novo ingrediente, as oscilações vão e voltam orbitando o mesmo ponto. Espécie de cenário sem perspectiva: num certo momento, o presidente Lula da Silva se distancia um pouco de Flávio Bolsonaro a cada transgressão atribuída ao senador do PL. Mas logo vê desaparecer a vantagem quando é o seu entorno — o grupo mais próximo, ou o próprio filho — que se vê envolvido em acusações e investigações. 

Pesquisas

Esta página está há meses acompanhando esse movimento, detalhe após detalhe, escândalo após escândalo. No domingo passado fez um breve retrospecto que mostra, com clareza, esse incessante andar em círculo. (*Conferir matéria no arquivo do Site). Percepção nesse sentido é facilmente observada nos últimos apanhados: o eleitor dá voltas e retorna ao mesmo lugar.

Os dois últimos levantamentos da Quaest para 2º turno, por exemplo (para não se misturar metodologias de diferentes institutos), vão nesse sentido. O divulgado no dia 05 de agosto mostrou Lula com 44% e Flávio com 39%. Dez dias depois, na sexta (14), Lula apareceu com 43%; Flávio, 40%. Portanto, em ambos os apanhados, distância bem menor do que há 2 meses, antes de vir a público o envolvimento de Jaques Wagner com o Banco Master.

É sempre bom frisar que a intenção de voto é captada no momento da entrevista. Uma semana depois, os números podem mudar. Daqui a um mês, as pontuações podem ser bem diferentes. E até o segundo turno — porque muito dificilmente o pleito presidencial será definido no primeiro — tudo pode se alterar. Uma fatia considerável do eleitor decide o voto na semana da eleição e, até mesmo, no dia do pleito. 

Polarização pelo piso

Não obstante recente pesquisa do Datafolha tenha captado que a maioria do eleitor brasileiro se alinhe com a direita, quem vota de um lado vota neste lado seja quem for o candidato. Do outro, idem. Então temos o presidente Lula com ligeira vantagem: tem o mandato e a máquina trabalhando a todo vapor por sua reeleição.

Olhando por outro ângulo, tão forte quanto o lulismo é o sentimento antipetista. E o Flávio… Bem, o Flávio vai precisar parar de tropeçar nas próprias pernas e dizer a que veio além de ser, apenas, o indicado pelo pai.

Vale ressaltar, a cada cinco eleitores, um se mantém indefinido até a última hora. Estamos a falar, portanto, dos 20%, considerados neutros ou moderados, que são os que vão decidir a eleição. 

A ver

Mas a campanha é justamente para isso. Ver se o presidente Lula não retorne com as promessas que costuma não cumprir (chega de picanha e cervejinha), que apresente um programa de qualidade e com visão de futuro — o que nunca foi sua praia — e que tenha uma estratégia de como governar com um Congresso que se mostra cada vez mais infenso a ele.

Pelo lado do filho nº 1, que saia da sombra do pai, se torne um nome nacional — o que, por incrível que pareça, não é — e que o fato de ser um senador apagado não signifique que leve para a Presidência a mesma deficiência.