

Após cerca de 12 horas de julgamento, José Ricardo da Silva Ribeiro foi condenado a 28 anos de prisão, em regime fechado, pelo feminicídio da professora Luanda Bittencourt Ribeiro, de 46 anos. A sessão aconteceu nessa quarta-feira (12), no Fórum Maria Tereza Gusmão Andrade, em Campos.
O julgamento reuniu familiares, testemunhas e pessoas próximas à vítima. Entre os depoentes estiveram os dois filhos de Luanda, Alícia e Davi Bittencourt, além de duas testemunhas que estavam no estacionamento onde ocorreu o crime. O próprio réu também foi ouvido e, durante o interrogatório, confessou ter matado a ex-mulher.
A condenação encerra uma espera de mais de quatro anos da família de Luanda pelo julgamento. Na sessão, os filhos relembraram a personalidade da mãe e falaram sobre a relação que mantinham com ela. Alícia descreveu Luanda como uma mulher dedicada à família, presente na criação dos filhos e que apoiava os sonhos deles. Davi afirmou que não conseguia apontar aspectos negativos da mãe e disse ter perdido, além dela, parte da esperança no futuro.
Durante os depoimentos, os filhos também relataram episódios de comportamento agressivo de José Ricardo, inclusive com ameaças, agressões verbais e patrimoniais.
O crime
Luanda foi baleada pelo então ex-marido em 3 de fevereiro de 2022, dentro de um estacionamento na Rua 13 de Maio, no Centro de Campos. Ela foi atingida por três disparos, no tórax, abdômen e perna.
Após o ataque, José Ricardo fugiu. O policial civil aposentado foi localizado e preso dias depois pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), durante uma abordagem na BR-101, em Casimiro de Abreu.
Luanda ficou internada durante 23 dias no Hospital Ferreira Machado (HFM), mas não resistiu aos ferimentos e morreu em 27 de fevereiro de 2022. Ela deixou dois filhos.
O caso teve grande repercussão em Campos e foi investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). A acusação apontou que o crime ocorreu em meio ao inconformismo do ex-marido com o fim do relacionamento