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Memória ativa e mente saudável são destaque em encontro do Programa de Prevenção Ases

Especialistas orientam sobre prevenção de falhas de memória e reforçam que estímulos cognitivos ajudam a preservar a qualidade de vida

Medicina
Por Ocinei Trindade
29 de julho de 2026 - 17h02

Grupo reunido com profissionais do Projeto de Prevenção Ases (Foto: Ocinei Trindade)

Mais de 30 participantes, a maioria idosos, participaram nesta quarta-feira (29) do encontro mensal do Programa de Prevenção Ases, realizado no Setor de Prevenção Ases, no Edifício Medical Center, em Campos. Com o tema “Memória ativa, memória fortalecida, vida mais saudável”, a programação reuniu palestra, roda de conversa e atividades voltadas ao fortalecimento da saúde mental e da memória.

A condução do encontro ficou a cargo da neuropsicóloga Alessandra Machado e do oncologista, geneticista e coordenador do programa, Dr. Gustavo Drumond, que destacaram a importância de estimular o cérebro ao longo do envelhecimento e de reconhecer precocemente sinais que possam indicar alterações cognitivas.

Segundo Alessandra Machado, preservar a memória exige estímulos constantes, da mesma forma que acontece com o corpo. “A mente envelhece assim como o corpo. Se não a mantivermos ativa, comprometemos nossa qualidade de vida. Costumo dizer que a memória funciona como um músculo: quanto mais é exercitada, mais fortalecida ela se torna”, explicou.

Neuropsicóloga Alessandra Machado durante encontro do Ases

Durante a palestra, a neuropsicóloga ressaltou que atividades simples do cotidiano ajudam a preservar as funções cognitivas. “Leitura, palavras cruzadas, caça-palavras, atividade física e desafios que exigem raciocínio estimulam as conexões entre os neurônios e favorecem a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de criar novas conexões”, afirmou.

O coordenador do Programa de Prevenção Ases, Dr. Gustavo Drumond, reforçou que os cuidados com a saúde física e mental devem caminhar juntos, principalmente entre a população idosa.

“Existe uma ligação direta entre corpo e mente. A velha máxima ‘mente sã, corpo são’ continua extremamente atual. Precisamos cuidar das duas dimensões para promover qualidade de vida, especialmente entre pessoas que já convivem com comorbidades”, destacou.

Reunião do Programa de Prevenção Ases

Além da prevenção, o encontro também abordou os sinais que devem despertar atenção de familiares e cuidadores.

De acordo com Alessandra Machado, esquecimentos ocasionais são comuns, mas algumas situações exigem avaliação médica.

“É importante observar quando o idoso faz repetidamente a mesma pergunta, esquece constantemente as mesmas informações ou apresenta comportamentos como deixar a geladeira aberta ou o fogão ligado. Esses podem ser sinais de alerta e merecem investigação”, orientou.

Queixas sobre esquecimento

Ao reunir informação, acolhimento e atividades práticas, o encontro reforçou a proposta do Programa de Prevenção Ases de incentivar hábitos que contribuam para um envelhecimento mais ativo, saudável e com melhor qualidade de vida.

A especialista Alessandra Machado observou ainda que as queixas relacionadas ao esquecimento se tornaram mais frequentes após a pandemia, embora esse fenômeno ainda esteja sendo estudado.

“Percebemos reclamações de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Parece que o esquecimento se tornou mais comum. Entretanto, é preciso diferenciar um esquecimento habitual de alterações que possam indicar algum tipo de demência”, explicou.

Dr. Gustavo Drumond é coordenador do Projeto de Prevenção Ases

Com mais de 15 anos de atuação no projeto, Alessandra afirma que o acompanhamento contínuo permite identificar mudanças importantes.

“Já acompanhamos pacientes que iniciaram com pequenos esquecimentos e, após avaliação especializada, receberam diagnóstico de Alzheimer. Por isso, observar mudanças de comportamento e encaminhar para avaliação médica no momento certo faz toda a diferença.”

Para Gustavo Drumond, o trabalho interdisciplinar desenvolvido pelo Programa de Prevenção Ases amplia esse cuidado.

“Os profissionais de saúde foram tradicionalmente preparados para cuidar do corpo. Hoje sabemos que também precisamos olhar para a saúde mental dos pacientes e, inclusive, para a nossa própria saúde mental. Esse cuidado integrado beneficia todos.”, finaliza.